O Bitcoin se encaminha para fechar a semana no vermelho, caindo mais 1,2% nesta sexta-feira (23) para ser negociado a US$ 88.853. Em reais, a criptomoeda é cotada a R$ 470.823, segundo dados do Portal do Bitcoin.
Os detentores de Bitcoin estão atravessando um limiar psicológico que não era visto há mais de dois anos, passando de registrar lucros para perdas.
O lucro/prejuízo líquido realizado, que capta o ganho ou perda agregada que investidores consolidam ao movimentar moedas on-chain, entrou em território negativo, sugerindo que a realização de prejuízos está se tornando generalizada.
“Esta é a primeira vez que os detentores realizam perdas líquidas em um período de 30 dias desde outubro de 2023”, afirmaram analistas da CryptoQuant em um relatório publicado na quinta-feira.
“Turistas do Bitcoin estão cortando prejuízos”, tuitou Ki Young Ju, fundador da CryptoQuant, sugerindo que os detentores de curto prazo estão vendendo suas posições e registrando perdas.
Isso sinaliza um possível ponto de inflexão em relação ao mercado de alta iniciado no final de 2023, servindo como um importante termômetro on-chain para investidores que buscam avaliar a força do mercado.
As perdas líquidas realizadas acumuladas no período somam aproximadamente 69.000 BTC. Com o Bitcoin cotado a US$ 88 mil, essas perdas chegam a mais de US$ 6 bilhões.
Por outro lado, a divergência é marcante quando comparada aos picos anteriores do mercado.
No pico de preço de março de 2024, foram registrados 1,2 milhão de BTC em lucros realizados, mas em outubro de 2025, mesmo com o Bitcoin atingindo um novo recorde histórico de US$ 124.774, esse número havia caído para 331.000 BTC.
“O prejuízo líquido realizado também acompanha níveis e padrões semelhantes aos de março de 2022, quando o mercado de baixa já estava em andamento”, diz o relatório da CryptoQuant, acrescentando que “a queda nos lucros líquidos realizados indica uma perda de força no preço do Bitcoin”.
A queda não é necessariamente um sinal de uma reversão iminente, afirmou Sean Dawson, chefe de pesquisa da plataforma de opções on-chain Derive, ao Decrypt.
O efeito de menos volatilidade
“Não acho que esses dois fatores estejam correlacionados”, disse Dawson, acrescentando que a queda no lucro e prejuízo líquido realizado é um sinal de menor volatilidade devido à entrada de “players mais sofisticados no mercado de ativos digitais”.
Em vez disso, Dawson destacou fatores macroeconômicos como o principal motor para o preço do Bitcoin, observando a crescente sensibilidade do ativo a mudanças de política.
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A queda da principal das criptomoedas abaixo de US$ 90.000 foi impulsionada, em parte, pelos efeitos da crise do mercado de títulos do Japão e pela sequência de liquidações de US$ 1 bilhão após a mudança de postura de Trump sobre a Groenlândia e planos tarifários associados.
“Eu daria mais peso às previsões de juros do Fed, à iminente crise da dívida dos EUA e à sua política externa”, afirmou Dawson.
Ele apontou para a próxima mudança de liderança no Federal Reserve como uma variável crucial, mas otimista, especialmente para o Bitcoin, acrescentando que os mercados provavelmente “verão condições muito favoráveis, já que o governo Trump quer que a economia cresça aceleradamente”.
Se o ciclo de lucro negativo vai desencadear uma queda prolongada ou apenas um ajuste temporário, agora depende de qual visão se mostrará mais precisa.
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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