A prata atingiu nesta sexta-feira (23) um marco histórico ao bater US$ 100 por onça, alcançando pela primeira vez este patamar. A disparada ocorre em meio a uma combinação de forte demanda por ativos de proteção, restrições persistentes de oferta e expectativas crescentes de cortes de juros nos Estados Unidos, em um cenário global marcado por tensões geopolíticas e incerteza econômica.
O movimento da prata acompanha a trajetória de alta do ouro, que também vive um momento excepcional e já se aproxima da região de US$ 5.000 por onça. Nesta sexta, o metal precioso sobe mais de 1% e é cotado a US$ 4.980.
Os metais têm se beneficiado do aumento da busca por segurança, à medida que investidores tentam se proteger de conflitos internacionais, disputas comerciais e da volatilidade nos mercados financeiros tradicionais. Além disso, a perspectiva de uma política monetária mais flexível pelo Fed torna ativos que não rendem juros, como ouro e prata, relativamente mais atrativos.
Leia também: Pai Rico prevê que prata irá dobrar de valor em 2026 e a define como “metal estrutural”
Ainda que tenha voltado atrás, a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada de taxar países da Europa em 10% por conta da disputa pela Groenlândia elevou o medo no mercado, levando investidores a buscarem ativos de proteção. Trump retirou as taxas, mas a tensão continua, o que favorece ouro e prata, que desde o ano passado sobem forte.
No caso específico da prata, fatores estruturais ampliaram ainda mais a pressão sobre os preços. Desde o início do segundo mandato de Trump, há um ano, o metal acumula valorização superior a 200%, impulsionado não apenas pela demanda financeira, mas também por gargalos na cadeia de produção.
Dificuldades para expandir a capacidade de refino e um déficit persistente entre oferta e consumo — especialmente ligado a usos industriais, como energia solar, eletrônicos e tecnologias ligadas à transição energética — ajudaram a criar um cenário de escassez prolongada.
Bitcoin e criptomoedas tentam acompanhar
Enquanto os metais preciosos brilham, o mercado de criptomoedas sobe, mas sem muita força. O Bitcoin opera em alta, porém segue abaixo dos US$ 90 mil, mostrando que, ao menos neste momento, os criptoativos não estão acompanhando a mesma intensidade do rali observado em ouro e prata.
Leia também: Por que a disputa de Trump pela Groenlândia afeta o Bitcoin?
Outras criptomoedas como Ethereum, BNB e XRP também avançam, refletindo melhora no apetite por risco, mas sem romper níveis técnicos relevantes.
A divergência entre metais e criptomoedas chama atenção porque é comum o Bitcoin ser tratado como uma espécie de “ouro digital”. No cenário atual, porém, investidores parecem priorizar ativos tradicionais de proteção, enquanto o mercado cripto ainda lida com fatores próprios, como volatilidade, liquidações em derivativos e cautela diante do ambiente macroeconômico e regulatório.
Investimento parado? É hora do Dólar Digital Turbinado! De 20 a 31/01, você pode ganhar recompensas de até 10% ao ano por 3 meses. Saiba mais!