A CEO da ARK Invest, Cathie Wood, voltou a apontar a Binance como a principal responsável pelo flash crash do Bitcoin ocorrido em 10 de outubro de 2025, evento apelidado pelo mercado como “10/10”, e afirmou que os efeitos desse episódio ainda pesam sobre o mercado, ajudando a explicar a fraqueza recente do BTC.
Em entrevista recente na Fox Business e em participação no podcast The Rundown, Wood descreveu o evento do ano passado como um reflexo de um processo de desalavancagem forçada que teria eliminado cerca de US$ 28 bilhões do ecossistema cripto.
Segundo Wood, o gatilho do colapso foi uma falha de software na Binance, que teria provocado chamadas automáticas de margem e liquidações em cascata. “O 10 de outubro foi, no mundo cripto, o flash crash associado a um bug de software na Binance que desalavancou o sistema”, afirmou a executiva.
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Para ela, o mercado passou os últimos dois a três meses absorvendo os “choques secundários” desse movimento, o que explicaria por que o Bitcoin, o ativo mais líquido do setor, continuou sendo pressionado depois do episódio.
A gestora também relacionou o flash crash de outubro à queda mais recente do BTC, argumentando que a desalavancagem atingiu primeiro o Bitcoin por ser o principal ativo usado como garantia e rota de liquidez em momentos de estresse. “O Bitcoin é o primeiro a sofrer chamadas de margem”, disse Wood, acrescentando que a dinâmica só começou a se estabilizar quando o preço passou a testar a faixa entre US$ 80 mil e US$ 90 mil.
A visão de Wood é acompanhada por outros líderes do setor. Recentemente, Star Xu, CEO da OKX, também atribuiu à Binance parte da responsabilidade pela queda do Bitcoin, apontando concentração de liquidez e problemas operacionais como fatores que amplificaram o movimento de baixa.
Resposta da Binance
Na época do flash crash, a Binance negou que o movimento tenha sido causado por falhas sistêmicas da plataforma. A corretora afirmou que a queda foi consequência de condições amplas de mercado, com liquidez reduzida e ordens antigas (legacy limit orders), e que seus sistemas centrais permaneceram operacionais.
A Binance também informou ter pago cerca de US$ 283 milhões em compensações a usuários afetados por eventos de perda de paridade em ativos como USDE, BNSOL e WBETH, e distorções de preços, com pagamentos adicionais previstos para perdas verificadas.
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Segundo a exchange, os problemas técnicos mais severos e episódios de perda de paridade ocorreram após o mercado já ter encontrado um fundo, e as quedas abruptas vistas em alguns pares à vista não refletiram negociações a “preço zero”, mas sim falhas de exibição, liquidez momentaneamente fina e ordens antigas.
Efeito persistente no mercado
Para Wood, ainda que o pior da desalavancagem já tenha passado, o episódio de outubro deixou marcas duradouras. Ela sustenta que o mercado precisou “limpar excessos” antes de retomar uma trajetória mais saudável, o que ajuda a explicar por que o Bitcoin demorou a reagir mesmo em momentos de melhora do sentimento macro.
A executiva, porém, indicou que a pressão tende a diminuir à medida que o sistema absorve totalmente as perdas e a liquidez se normaliza.
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