Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, utilizou a força do YouTube no mercado de atenção para tentar amenizar as preocupações de que a compra da Warner Bros. Discovery criaria um monopólio. A estratégia de defesa da empresa de streaming foca em expandir a definição de mercado, tentando convencer o Departamento de Justiça dos Estados Unidos de que o cenário de entretenimento é mais amplo do que a disputa tradicional entre estúdios.
As declarações do chefão da companhia aconteceram durante a audiência no Senado dos Estados Unidos, na terça-feira (4). De acordo com Sarandos, a maior concorrência não vem apenas de plataformas pagas, mas de gigantes como o YouTube, que domina uma parcela significativa do tempo de tela nas salas de estar.
O executivo apresentou dados para sustentar essa tese, observando que a participação da Netflix na audiência de TV nos EUA em dezembro foi de 9%. Mesmo com a adição da HBO Max, a fatia chegaria a cerca de 10%, permanecendo atrás do YouTube.
No segmento de streaming premium, a Netflix detém 18% do mercado norte-americano, enquanto a HBO Max possui 3%. A combinação de 21% serviria, segundo Sarandos, para enfrentar empresas de tecnologia com grandes recursos, como a Apple e o Amazon Prime Video, que fazem parte do setor de televisão.
A afirmação de que o YouTube é um concorrente direto foi questionada pelo senador Mike Lee, que preside a subcomissão de antitruste no Senado. O parlamentar argumentou que as plataformas não estão no mesmo ramo, visto que o YouTube não financia conteúdo original diretamente e não exige assinatura ou login. Sarandos rebateu afirmando que ambas as empresas disputam o mesmo público e verbas publicitárias.
“Cerca de 50% do engajamento no YouTube hoje acontece na sala de estar, em uma TV, não em… um celular, e está crescendo muito rapidamente na televisão. Então, se você está assistindo ao YouTube, você não está assistindo à HBO Max, não está assistindo à Netflix, não está assistindo à [TV] CBS”, afirmou o executivo, que ainda citou o fato de o YouTube ter comprado os direitos de transmissão do Oscar a partir de 2029.
Enquanto a Netflix argumenta que concorre com todo o tempo de lazer do usuário, incluindo redes sociais e vídeos gratuitos, os políticos tendem a observar apenas o nicho de serviços pagos, onde a fusão criaria um líder com ampla vantagem sobre rivais como Disney, Apple e Amazon.
Para reforçar a viabilidade do negócio, Sarandos afirmou que a Netflix e a HBO Max são serviços complementares, destacando que 80% dos assinantes da HBO Max já assinam a Netflix. Ele justificou a necessidade de adquirir os estúdios da Warner Bros. mesmo com o plano da Netflix de investir US$ 20 bilhões (R$ 105 bilhões) em conteúdo em 2026. A audiência do co-CEO pode ser vista na íntegra no vídeo abaixo, em inglês:
O acordo de US$ 83 bilhões (R$ 436 bilhões), anunciado em dezembro, prevê a compra por US$ 27,75 por ação. Recentemente, a oferta foi alterada para pagamento integral em dinheiro para neutralizar a proposta hostil de US$ 108 bilhões (R$ 567 bilhões) da Paramount Skydance, liderada por David Ellison.
Compra da Warner pela Netflix
A compra da Netflix com a Warner ainda não foi confirmada, pois o negócio bilionário ainda tem que passar por alguns processos. Quando a Netflix e a WBD alinharem os termos finais, o acordo ainda precisará receber a aprovação dos reguladores, o que tende a se arrastar ao longo do ano. Confira, abaixo, um passo a passo para a efetivação do negócio: