É possível acumular Bitcoin sem necessariamente comprar Bitcoin. A ideia tem ganhado espaço à medida que o mercado de criptomoedas amadurece e passa a oferecer mecanismos que ampliam as possibilidades além das ofertas do sistema financeiro tradicional.
Em vez de apostar apenas na valorização do preço, investidores conseguem receber BTC como recompensa, rendimento ou benefício por meio de diferentes estratégias, que vão de cartões com cashback a produtos de renda fixa digital.
A lógica é parecida com o que já existe no mundo financeiro tradicional: em vez de comprar ações de uma empresa, o investidor pode receber dividendos; já no universo cripto, o Bitcoin pode entrar na carteira como “retorno” por participar de determinadas atividades do ecossistema.
Veja algumas das principais formas de fazer isso:
Investimento no MB com cashback em Bitcoin
Ganhar cashback em Bitcoin sem precisar comprar a criptomoeda diretamente já é possível ao investir em outros ativos digitais. No Brasil, essa dinâmica funciona por meio da campanha de Super Quarta do MB, que acontece entre os dias 4 e 6 de fevereiro e oferece cashback de até 5% em BTC para clientes que investirem em ativos selecionados na plataforma.
A ação inclui mais de 15 ativos, abrangendo desde criptomoedas conhecidas como Bitcoin, Ethereum e Solana, passando por ativos lastreados no ouro, até oportunidades de renda fixa digital. As opções atendem tanto iniciantes quanto investidores que buscam diversificação, permitindo aplicar em produtos de perfil mais conservador e receber parte do valor investido de volta em BTC.
Distribuição da oferta de criptoativos por dia:
Para investidores que não desejam investir diretamente em criptomoedas, é possível receber cashback em Bitcoin por meio da renda fixa digital. São produtos que replicam a lógica da renda fixa tradicional, mas usando a infraestrutura blockchain. A chamada renda fixa digital funciona, em linhas gerais, como investimentos com prazo, rentabilidade e condições previamente definidas, muitas vezes lastreados em recebíveis, crédito estruturado ou operações financeiras tokenizadas.
A principal diferença em relação à renda fixa tradicional está no formato: esses ativos são representados por tokens em blockchain, o que permite mais transparência, liquidez e integração com o ecossistema cripto. Para o investidor, isso significa acessar produtos com retorno previsível, sem a necessidade de fazer operações de trade ou exposição direta à volatilidade do mercado.
Na Super Quarta, os produtos de renda fixa digital Ativos Judiciais oferecem cashback de 5% em Bitcoin. Outras opções dessa cesta incluem Billor (4% de cashback), Trinus (2%) e iCred (1%).
Staking que paga em Bitcoin
Embora o protocolo do Bitcoin não permita staking nativo como redes Proof-of-Stake (PoS) — onde você bloqueia seus tokens para receber recompensas — existem projetos e serviços que permitem ganhar rendimento indiretamente em criptomoedas e então converter ou recompensar direto em Bitcoin.
Muitos programas de yield farming e DeFi permitem que usuários depositem stablecoins ou outros tokens em pools de liquidez e ganhem rendimentos que podem ser convertidos em Bitcoin depois, uma estratégia popular em protocolos descentralizados como Curve ou Uniswap, onde os rendimentos podem ser compostos e convertidos em BTC conforme a estratégia de cada investidor.
Cartões com cashback em BTC
Uma das formas mais simples de acumular Bitcoin no dia a dia é por meio de cartões com cashback em criptomoedas. Nesse caso, gastos cotidianos, como supermercado, restaurantes, contas, geram uma devolução de parte do valor gasto em BTC.
No Brasil, plataformas como o Mercado Bitcoin (MB) adotaram esse modelo, permitindo que o usuário receba até 1% do valor de qualquer compra em Bitcoin como recompensa ao usar o cartão da empresa.
Mineração de Bitcoin
A mineração continua sendo uma das formas mais conhecidas de “ganhar” Bitcoin, pois é o próprio processo pelo qual novos BTC são criados na rede. Os mineradores utilizam poder computacional para validar blocos de transações e, como recompensa por esse trabalho, recebem bitcoins recém-emitidos, além das taxas pagas pelos usuários. Esse mecanismo é o que garante a segurança, a descentralização e o funcionamento do Bitcoin desde a sua criação.
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Na prática, porém, a mineração se tornou uma atividade altamente profissionalizada. Hoje, ela exige equipamentos especializados, chamados ASICs, acesso a energia elétrica barata e escala operacional para ser economicamente viável.
Para pequenos participantes, uma alternativa são os pools de mineração, nos quais diversos usuários unem seu poder de processamento e dividem proporcionalmente as recompensas em BTC. Com isso, é possível acumular Bitcoin sem comprar nenhuma vez a criptomoedas em si.
No fim das contas, acumular Bitcoin hoje não depende apenas de acertar o timing do mercado. Para muitos usuários, o caminho tem sido incorporar o ativo aos poucos, como resultado de atividades financeiras já existentes, ajudando a integrar ainda mais o Bitcoin ao cotidiano financeiro das pessoas.