O Bitcoin voltou a ser negociado perto das mínimas desde a eleição de Donald Trump no fim de 2024, abaixo dos US$ 70 mil. E se os investidores acreditarem no que os mercados de previsão indicam, a maior criptomoeda do mundo pode cair ainda mais em breve.
No Polymarket, plataforma descentralizada popular entre traders do mundo cripto, contratos passaram a precificar uma chance elevada de o BTC cair para US$ 65 mil ainda neste ano, uma piora considerável no que era apontado até recentemente, segundo reportagem da Bloomberg.
O movimento ocorre após uma queda pesada desde o topo. O Bitcoin já caiu cerca de 40% desde a máxima histórica acima de US$ 126 mil registrada em outubro de 2025. No mesmo período, o mercado cripto como um todo perdeu valor e viu o humor azedar com o aumento de liquidações e a redução do apetite por risco, em um ambiente em que narrativas que sustentavam o avanço parecem ter enfraquecido.
Leia também: Geração Z aposta alto nos mercados de previsão como Polymarket — literalmente
Na leitura dos contratos do Polymarket, a chance de o BTC tocar US$ 65 mil ganhou força, enquanto apostas em uma recuperação até US$ 100 mil perderam fôlego. Agora eles indicam uma probabilidade de 82% de que o Bitcoin caia para US$ 65.000 este ano, um nível aproximadamente 9% abaixo dos atuais US$ 71.200.
Alguns apostam em um cenário ainda pior. As chances de um fechamento abaixo de US$ 55.000 subiram para cerca de 60%, enquanto as chances de uma recuperação que leve a moeda de volta a US$ 100.000 caíram para 54%, ante 80% no início do ano.
A tendência de baixa é ainda mais acentuada em contratos de curto prazo. Um mercado de fevereiro no Polymarket agora atribui uma probabilidade de 72% de que o Bitcoin seja negociado abaixo de US$ 70.000 até 1º de março, um aumento de mais de 35 pontos percentuais em relação ao início do mês.
Parte do pano de fundo é o esvaziamento do impulso que, em 2025, ajudou a sustentar as altas: os ETFs cripto nos EUA, apontados como fonte relevante de entrada de capital, viram a direção do fluxo mudar nos últimos meses, com saídas e menor apetite por alocação de risco.
“Isso basicamente reflete o sentimento baixista nos mercados agora”, disse Ilan Solot, da Marex, para a Bloomberg, com o Bitcoin falhando em se comportar como porto seguro no meio do estresse macro. E há o efeito “cicatriz”: depois de eventos de liquidação em massa, parte do dinheiro alavancado costuma desaparecer por um tempo, reduzindo a disposição de retorno imediato ao risco.
“Esses bear markets costumam ser muito brutais para quem usa alavancagem. E a quantia de dinheiro perdida em 10 de outubro é muito maior do que a queda anterior, em novembro de 2022”, disse Dan Morehead, fundador da Pantera Capital. “Isso causa muita dor. E muitos desses investidores não voltam ao mercado — e leva um tempo.”
Ainda assim, há um contraste importante, sendo que a “sabedoria das multidões” do Polymarket não é consenso nem no mercado tradicional nem entre os otimistas de longo prazo. Mesmo após cortes em projeções, casas como Standard Chartered e Bernstein ainda falam em possibilidade de um retorno a níveis elevados ao longo do ano, como os US$ 150 mil, enquanto outras vozes, como Tom Lee, chegaram a defender cenários bem mais agressivos, de BTC até US$ 200 mil.
Na prática, os mercados de previsão viram mais um termômetro de curto prazo do humor e do posicionamento do que um oráculo. Eles precificam probabilidades conforme o fluxo de apostas, e podem ser distorcidos por assimetria de liquidez, momentos de pânico e “narrativas” que dominam o ciclo.
Cashback de até 5% em bitcoin é só na Super Quarta! De 4 a 6 de fevereiro, invista em ativos selecionados e receba parte do valor direto na sua conta MB. Saiba mais!