O medo dos investidores no mercado de criptomoedas se intensificou a um grau não visto desde o colapso do ecossistema Terra (LUNA) em meados de 2022, impulsionado por uma liquidação brutal guiada por fatores macroeconômicos.
O preço do Bitcoin caiu para uma mínima de 15 meses, atingindo US$ 60.255 na quinta-feira, marcando uma queda de 52,2% em relação à máxima histórica de US$ 126.080 registrada em outubro de 2025, de acordo com o CoinGecko.
Na manhã desta sexta-feira (6), o Bitcoin é negociado a US$ 65.911, ainda acumulando quedas de 7,7% nas últimas 24 horas. Em reais, a cotação do BTC está em R$ 349.146, segundo dados do Portal do Bitcoin.
O movimento ocorre no momento em que o Índice de Medo e Ganância despencou para 9 nesta semana, situando-se firmemente na zona de “Medo Extremo” e atingindo o menor nível em 42 meses desde a queda da Luna.
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O projeto Terra (Luna) era um ecossistema de criptomoedas cujo colapso em maio de 2022, após sua stablecoin algorítmica perder a paridade com o dólar, desencadeou um dos choques de confiança mais agudos já registrados no mercado.
“Observando esse recuo, ele reflete de forma vívida uma realidade central: em um ambiente onde a liquidez ampla não se expandiu de maneira significativa, os ativos globais estão sendo regidos pelas mesmas condições de financiamento apertadas e lógica de aversão ao risco”, disse Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, ao Decrypt.
Incertezas globais
A incerteza em relação à política do Fed, o banco central dos EUA, e as tensões geopolíticas, estão contribuindo para o estresse. Dessa forma, o enfraquecimento do ímpeto pode empurrar o Bitcoin ainda mais para baixo.
O índice do dólar americano (DXY) subiu de 95,205 em 27 de janeiro para 97,685, apertando as condições financeiras. Esse salto ocorreu após uma crise caótica nos títulos do governo japonês em janeiro, que ameaçou desestabilizar a estratégia global de carry trade com o iene.
Fatores macroeconômicos “têm um papel desproporcional nesta queda, já que as criptomoedas continuam negociando com forte correlação com ações e sensibilidade a sinais de política monetária”, afirmou Nick Ruck, diretor de pesquisas da LVRG Research, ao Decrypt.
O interesse aberto agregado — o valor total dos contratos de derivativos em aberto — para futuros de Bitcoin despencou para US$ 21,96 bilhões, uma mínima de 15 meses, sinalizando um êxodo massivo de capital especulativo, segundo dados da CryptoQuant.
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Enquanto isso, o mercado de opções mostra uma postura claramente defensiva, com o skew delta 25 de 7 e 30 dias do Bitcoin caindo abaixo de -28 e -24, respectivamente, indicando que os traders estão pagando um prêmio significativo para apostar na queda como proteção contra perdas.
“O principal fator é a onda de aversão ao risco causada pelos temores no setor de tecnologia/inteligência artificial”, disse Andri Fauzan Adziima, líder de pesquisa da Bitrue. “Os investidores duvidam cada vez mais da sustentabilidade dos enormes investimentos em IA das Big Techs.”
* Traduzido e editado com autorização do Decrypt.
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