O CEO da Strategy, Phong Le, afirmou que a empresa só enfrentaria problemas reais de balanço caso o preço do Bitcoin caísse para US$ 8.000 e permanecesse nesse patamar por cinco a seis anos. A declaração foi feita durante a apresentação dos resultados do quarto trimestre, em meio a uma nova queda no mercado de criptomoedas.
Segundo Le, apenas em um cenário extremo, equivalente a uma desvalorização de cerca de 90% em relação aos níveis atuais, a reserva de bitcoins da companhia se igualaria à sua dívida líquida. “Nesse ponto, não conseguiríamos mais quitar os títulos conversíveis usando nossa reserva em Bitcoin e precisaríamos avaliar alternativas como reestruturação, emissão de novas ações ou captação de mais dívida”, disse o executivo.
A fala veio após a Strategy reportar um prejuízo líquido de US$ 12,6 bilhões no trimestre, resultado puxado principalmente por perdas não realizadas em seus ativos digitais, em razão da queda do Bitcoin abaixo do preço médio de aquisição da empresa.
O diretor financeiro Andrew Kang ressaltou, porém, que o impacto decorre do modelo contábil de marcação a mercado e reforçou a visão de longo prazo da companhia. “Mesmo em um ambiente volátil, seguimos executando nossa estratégia”, afirmou.
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O presidente do conselho e principal porta-voz da tese de Bitcoin da empresa, Michael Saylor, também tentou tranquilizar investidores ao destacar que a estratégia corporativa foi desenhada para atravessar períodos prolongados de volatilidade. “Movimentos trimestrais podem ser bruscos e até desconfortáveis, mas nossa estrutura foi construída para suportar choques de curto prazo e até condições extremas como as atuais”, disse.
O pronunciamento ocorreu em um momento de forte pressão sobre o mercado. O Bitcoin chegou a cair 14% em 24 horas na quinta, sendo negociado na casa de US$ 62 mil, enquanto as ações da Strategy (MSTR) recuaram 17,1% no dia e acumulam queda de 72% nos últimos seis meses, apagando boa parte dos ganhos recentes.
Durante a teleconferência, Saylor também comentou preocupações recorrentes sobre riscos da computação quântica ao Bitcoin, classificando o tema como parte de uma “onda de FUD”. Para ele, a ameaça ainda estaria distante. “O consenso é que estamos a pelo menos 10 anos de qualquer risco concreto”, afirmou, acrescentando que a tecnologia quântica também impactaria setores como finanças e defesa, não apenas criptomoedas.
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Segundo Saylor, o Bitcoin é um sistema atualizável e poderá incorporar soluções resistentes a ataques quânticos por meio de consenso global. Nesse contexto, a Strategy anunciou o lançamento de um programa de segurança em Bitcoin, com o objetivo de coordenar esforços com especialistas em cibersegurança, criptografia e infraestrutura digital.
“Somos uma empresa bem gerida, bem colateralizada e estruturada de forma responsável para atravessar meses, trimestres e até ciclos difíceis de dois ou três anos”, concluiu Saylor. “Já passamos por isso antes e estamos preparados para continuar.”
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