Depois de uma quinta-feira de fortes quedas que afastou o Bitcoin em 40% do seu último topo, o mercado tenta entender agora até onde a criptomoeda pode cair.
Indicadores de momentum estão profundamente sobrevendidos, mas sem provocar reação relevante, em um cenário em que os fluxos para ETFs à vista deixaram de ser um suporte consistente e o BTC falhou em se comportar como proteção em meio a tensões geopolíticas.
Com o preço na casa dos US$ 67 mil, bem distante do pico próximo a US$ 126 mil registrado em outubro passado, analistas de Wall Street passaram a recorrer menos a histórias e mais a estatísticas históricas, níveis técnicos e métricas de liquidez para estimar até onde a correção pode ir, como mostra uma reportagem da Bloomberg.
Para John Roque, da 22V Research, o movimento precisa ser analisado dentro de ciclos. Desde 2011, o Bitcoin atravessou cinco grandes bear markets, com quedas médias de 80% entre topo e fundo. Mesmo o menor desses ciclos registrou um recuo de 72%.
Se o padrão se repetir, o preço poderia cair para algo em torno de US$ 35.200. No curto prazo, porém, Roque mantém um alvo intermediário de US$ 60 mil, que passaria a ser revisto caso esse nível também seja perdido.
Uma leitura semelhante vem de Michael Purves, da Tallbacken Capital, que chama atenção para sinais de tendência de longo prazo. Ele destaca um cruzamento negativo do MACD (indicador técnico que mostra a relação entre duas médias móveis do preço de um ativo) mensal, que, segundo Purves, tem “histórico excelente” para sinalizar movimentos de queda mais amplos.
Nas últimas quatro vezes em que esse sinal apareceu, o Bitcoin recuou entre 60% e 65%. Purves também observa a quebra do nível de US$ 76 mil, que corresponde ao custo médio de aquisição da Strategy, maior detentora corporativa de Bitcoin. Com isso, reiterou um alvo de US$ 45 mil, o que representaria uma queda adicional de cerca de 33% a partir dos níveis atuais.
Já Matt Maley, estrategista-chefe da Miller Tabak + Co., vê a região logo abaixo de US$ 70 mil como um divisor de águas. Esse ponto coincide com o recuo de 50% de toda a alta desde o fundo de 2022. Abaixo disso, Maley passa a observar US$ 65 mil, nível que marca o retraçamento de 50% da valorização iniciada no fundo da pandemia, em 2020.
Na Galaxy Digital, o chefe de pesquisa Alex Thorn chama atenção para médias móveis históricas. Nos últimos três ciclos de alta, a média móvel de 50 semanas funcionou como suporte relevante. Quando esse patamar foi rompido, o preço acabou convergindo para a média de 200 semanas.
O problema, segundo Thorn, é que o Bitcoin já está abaixo da média de 50 semanas, enquanto a de 200 semanas está atualmente em torno de US$ 58 mil. Em nota, ele lembrou ainda que, com exceção de 2017, o ativo nunca caiu 40% de um topo histórico sem estender as perdas para 50% ou mais dentro de um período de três meses.
Até métricas tradicionalmente usadas para sustentar teses de longo prazo perderam força. Estrategistas do JPMorgan apontam que o Bitcoin negocia bem abaixo do custo estimado de produção, hoje em torno de US$ 87 mil. Caso o preço permaneça abaixo desse nível por muito tempo, mineradores menos eficientes podem sair do mercado, alterando a dinâmica de oferta e pressão sobre custos.
O resultado, segundo analistas, é um mercado que se comporta mais como uma operação de desmonte de risco, semelhante ao que ocorre em ações de tecnologia em fases de estresse, do que como um ativo momentaneamente mal precificado. “Implacável”, resumiu Vetle Lunde, da K33 Research. “Medo elevado, ausência de compradores e distribuição significativa de oferta. No conjunto, são condições muito duras.”
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