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Resident Evil Requiem dá mais que nostalgia aos fãs

por edineymartinstorres

Porém, é com grande satisfação que eu posso dizer que Resident Evil Requiem suprimiu todos os meus pesares. Não só o nono título da franquia acerta na atmosfera, gameplay e até em grande parte da história, mas também sabe dosar com maestria a nostalgia, a apresentação visual, músicas certeiras que são um deleite para os fãs e mecânicas divertidíssimas e assustadoras.

Entre seções de terror e ação, Resident Evil Requiem pode não ser o melhor que já vimos e certamente poderia aproveitar mais certos elementos, mas entrega uma experiência memorável, agradável e digna. Confira o nosso review completo!

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Ambientação de primeira e história… intrigante

Se você não esteve vivendo debaixo de uma pedra no último ano, certamente já viu que Resident Evil Requiem vai remexer nas memórias dos fãs ao retornar para Raccoon City 30 anos após os eventos que deram o pontapé inicial na franquia. A nostalgia é clara, mas existe um bom motivo contextualizado para essa decisão?

Pode ficar tranquilo que essa análise não contém nenhum tipo de spoiler e vamos apenas abordar bem superficialmente alguns pontos. Basicamente, seguimos a trajetória de Grace Ashcroft, filha de Alyssa, personagem apresentada no spin-off Outbreak, investigando o mesmo hotel em que a mãe foi morta há 8 anos.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Tudo indica que uma doença misteriosa assombra sobreviventes do incidente de Raccoon City e há alguma tramoia ou figura arquitetando esses eventos. Não vou entrar em detalhes, mas diria que grande parte da narrativa é interessante, revisitando eventos clássicos do universo de Resident Evil e trazendo nova luz à continuidade da franquia.

O tema principal de Resident Evil Requiem parece ser mesclar o futuro com o passado da série e acho que isso funcionou muito bem na maior parte do tempo. Entretanto, o fim é um pouco estranho, com termos e situações mal explicadas, antagonistas com motivações bem duvidosas e muitas pontas soltas que podem ter sido implantadas para serem resolvidas em DLCs – algo que, honestamente, a franquia nunca soube resolver bem. Ao mesmo tempo, fiquei intrigado e receoso com os próximos desdobramentos.

Mas é inegável que todo esse pano de fundo de Resident Evil Requiem é um deleite de aproveitar. Grace é uma personagem muito humana, muito expressiva em suas características, enquanto Leon apresenta um contraste imenso, com experiência e muito tempo de carreira.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

A ambientação de Resident Evil Requiem é um terreno fértil para esse contraste existir e a equipe calibrou milimetricamente para que o jogador sinta isso. Realmente gostei dessa dicotomia, os personagens novos são intrigantes e há muitas surpresas muito legais de ver durante a campanha que eu espero que você goste tanto quanto eu.

Embora a nostalgia seja um elemento-chave de Resident Evil Requiem, a Capcom não construiu a campanha puramente nesse alicerce, o que eu considero bem positivo. Superficialmente, até mesmo pelas impressões dos últimos trailers, é que o jogo poderia tentar atingir todos os públicos e ser muito generalista, mas ele consegue se esquivar dessa armadilha.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Grace é o ápice do terror de toda a franquia

Eu poderia ser técnico e muito profissional para começar a descrever o terror das seções de Grace em Resident Evil Requiem, mas talvez, igual ao jogo, descrever essa tensão nu e crua requer algo igualmente honesto que represente o âmago do que realmente é: senhoras e senhores, eu me caguei.

Jogar com Grace não é um survival horror com elementos de terror: simplesmente É terror. Nada de depender de jumpscares, trechos específicos como o começo de Village ou a casa Beneviento. Todo momento é tenso, desconfortável e aterrorizante, seja à plenas luzes acesas ou em porões escuros.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

A Capcom realmente acertou em cheio com Grace em Resident Evil Requiem. Talvez por sua natureza mais frágil, talvez pela primeira pessoa em conjunto, talvez pela escassez maior de recursos ou, quem sabe, apenas pelo sentimento construído artesanalmente pelas mãos habilidosas dos desenvolvedores.

Recomendo fortemente que você siga a recomendação da Capcom e jogue em primeira pessoa com Grace. A perspectiva mais intimista, claustrofóbica e pessoal eleva bastante o terror (mas saiba que existe a opção em terceira pessoa, caso deseje).

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Grace em Resident Evil Requiem pode ser uma protagonista estreante, mas ela representa o legado: mansões, backtracking, puzzles e vulnerabilidade. A agente do FBI não é uma incapaz, mas ela é claramente mirrada, inexperiente e tem dificuldades de uma novata, criando terreno fértil para colher terror.

Ela possui alguns recursos, como armas fracas, facas e até o sistema de construir munição e recursos, mas às vezes fugir é a melhor estratégia. Similar ao primeiro jogo da série, todo zumbi morto é potencialmente o catalisador de uma transformação igual à do Crimson Head: mate zumbis demais e talvez você tenha um exército de inimigos poderosos rondando o cenário.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Há formas de mitigar isso em Resident Evil Requiem, como explodindo os corpos ou as cabeças, mas boa sorte para fazer isso com os recursos escassos. Grace, de certa forma, incorpora o terror recuperado com Resident Evil 7. Se você gostou do clima tenso e sensação constante de apreensão, vai se deleitar aqui.

Eu realmente gostei de Grace, tanto como personagem quanto em jogabilidade, mas a Capcom teve uma ótima sacada: entre seções longas e aterrorizantes, somos praticamente recompensados com um outro tipo de gameplay: a experiência de Leon.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Leon é o ápice da fórmula de ação, mas sem errar a mão

Quando digo que as partes de Leon são “recompensa”, não necessariamente estou dizendo que são melhores, mas trazem um sentimento curioso. A movimentação, o combate e a ação contrastam tão forte com Grace, que é quase um respiro de alívio, escapar da arfada sufocante do terror.

A Capcom realmente soube trabalhar bem o contraste. Felizmente, minha preocupação de Leon ser uma reprise de Resident Evil 6 sumiu em Resident Evil Requiem. Na medida do possível, o jogo é mais pé no chão e Leon parece menos um super-herói e mais um John Wick experiente: a experiência é um Resident Evil 4 com esteroides.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Os movimentos corpo a corpo retornam, junto com a possibilidade de execução com armas de fogo com inimigos de vida baixa. É uma coreografia e uma dança espetaculares de ver, a Capcom realmente trabalhou com esmero em cada animação, desde algumas estéticas até outras que alteram o gameplay.

Se Leon estiver mal posicionado ou se recuperando de um ataque, às vezes vai mirar apenas com uma mão, mudando a animação, a postura e até a efetividade do ataque (ou, até quem sabe, ver o personagem recarregando a pistola enquanto segura a lanterna no pescoço). Sério, a qualidade aqui é de outro patamar.

E o que dizer do machado, o novo companheiro fiel do protagonista? Novamente, é a mecânica da faca com esteroides, mas extremamente divertido. Ele é muito útil e às vezes até forte demais, mas a dose de entretenimento supera qualquer balanceamento.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Embora a seção de Leon em Resident Evil Requiem seja algo mais remanescente de Resident Evil 4, ele também tem sua dose de áreas mais abertas com idas e vindas, embora em intensidade menor que as de Grace.

Por fim, se Grace representa o legado, Leon representa a nostalgia. Não vou dar spoilers e nem posso comentar muito por questões de embargo, mas o protagonista traz algumas das melhores partes da campanha, outros elementos clássicos e mecânicas bem divertidas.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Boa exploração, mas cadê os puzzles? E o backtracking?

No geral, Resident Evil Requiem não deixa de lado alguns dos sistemas clássicos da franquia de fora, mas sinto que, novamente, a Capcom construiu algo muito bom, mas que não foi aproveitado da melhor maneira possível. Já faz um tempo que puzzles e exploração detalhada do cenário têm ficado para trás e, aparentemente, se manteve aqui.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Parece que realmente os puzzles se tornam cada vez mais distantes do DNA da série. Resident Evil Requiem até traz alguns enigmas para solucionar, mas são extremamente simples e escassos, parecendo que foram adicionados apenas para estarem ali. De certa forma, isso não valoriza os próprios cenários, que são ótimos.

A Capcom construiu um playground muito divertido em Resident Evil Requiem: o hotel Wrenwood, a clínica Rhodes Hill e outros lugares que não vou citar por spoilers. Contudo, senti que não há tanto backtracking quanto poderia, mais chaves, mais portas trancadas e mais entraves para a jornada, que poderia estender um pouco a campanha.

Que, por falar nela, o jogo computou 8h30, mas provavelmente sem cutscenes e outros momentos. Na Steam, a primeira zeratina me tomou 14 horas em um ritmo bem proveitoso, sem correr e explorando os cantos de cada cenário. Honestamente? Não é ruim e achei satisfatório, mas poderia ser um tequinho maior.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

Seja ter mais uma área, um pouco mais de conteúdo ou até aproveitar melhor suas próprias áreas, Resident Evil Requiem sacia a fome em um excelente prato e até traz sobremesa, mas parece que nos deixa sem o cafezinho para completar a refeição no fim.

Entretanto, preciso reforçar: o fator replay é muito bom e adorei platinar o jogo (que me tomou cerca de 32 horas). O modo de dificuldade Insano mexe na ordem de alguns puzzles, itens, posicionamento de inimigos e mais, realmente gostei. Mas… ao menos no lançamento, esse é o único motivo para rejogar, já que não há um modo Mercenaries. Honestamente, isso não me afetou muito, já que amei refazer a campanha, mas pode ser um ponto de atenção para alguns fãs.

Bem-otimizado, gráficos espetaculares no PC e trilha sonora incrível

Eu joguei Resident Evil Requiem no PS5 apenas para preview e achei os gráficos muito competentes, incluindo ray tracing no PS5 Pro, mas esta análise foi feita inteiramente no PC. E, para computadores, esse jogo tem um outro patamar gráfico que faço questão de reforçar.

Resident Evil Requiem no PC exibe todas as características de um lançamento AAA de alto calibre: path tracing, DLSS 4.5 com Multiframe Generation, Ray Reconstruction, NVIDIA Reflex e todos os tipos de configuração de presets gráficos possíveis.

Resident Evil Requiem

Imagem: Vini Munhoz/Flow Games

O path tracing realmente faz uma diferença em um jogo que usa tanto jogo de luz e sombras, seja na iluminação global rebatendo luzes de alarme, reflexos realistas e muito mais. A diferença é do dia para a noite em certos cenários, mas senti que o Ray Reconstruction pode estar com algum bug, pois há cintilação em algumas sombras.

E você pode se perguntar: ter tudo isso ativado provavelmente implica em um jogo pesado, certo? Surpreendentemente, não.

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