Após entregar o excelente remaster de Tales of Xillia, a Bandai Namco nos presenteia com o Tales of Berseria Remastered. Lançado originalmente em 2016, a remasterização chega com a promessa de melhorias visuais e qualidades de vida para o título ficar mais agradável e de acordo com os padrões atuais.
O Flow Games recebeu uma cópia da Tales of Berseria Remastered e, após embarcar na jornada de Velvet, conta o que achou dele neste review. Confira!
Tales of Berseria traz história de vingança
Um ponto em que Tales of Berseria Remastered se destaca é no ritmo que ele dá e a forma de contar a história, tudo sem enrolações. Assim, basicamente somos apresentados a um mundo em que os humanos vivem com medo de uma praga demoníaca capaz de transformá-los em uma criatura extremamente violenta e que ataca aos mais próximos.
Para o lado dos mocinhos, ou nem tanto assim, surgem os exorcistas para defender a paz, muitas vezes fazendo uso dos Malaks, seres capazes de usar artes mágicas com elementos naturais, na luta contra os demônios.
Partindo para o lado dos personagens, Tales of Berseria apresenta Velvet em uma jornada por vingança após uma grande reviravolta no começo do jogo. Aqui, apesar de se tratar de um jogo com 10 anos de idade, não entrarei em mais detalhes para não estragar a experiência de quem nunca jogou o título.
Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
De forma geral, a história em Tales of Berseria Remastered é idêntica a encontrada no jogo original, sendo que ela acaba fugindo um pouco do clichê e traz momentos que são realmente interessantes. Inclusive, as cenas de anime reservadas para alguns momentos mais marcantes são espetaculares por conta de sua arte, mas não parecem ter sido muito retrabalhadas no remaster.
Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Pelo lado negativo, em comparação com outros jogos da série Tales of, os personagens de Berseria são um pouco genéricos e carecem de carisma. O problema fica ainda mais evidente com seus diálogos previsíveis, que quebram o ritmo sem enriquecer a história, e muitas piadas forçadas fora de hora.
Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Felizmente, para o lado positivo, alguns personagens, como a própria Velvet ou até mesmo Eleanor acabam compensando isso quando suas motivações ficam mais evidentes e tudo começa a se encaixar. No entanto, não espere que o seu jeito agrade desde o começo.
Em outros aspectos, felizmente, Tales of Berseria nos apresenta cidades com um visual bem diferente e que realmente parecem vivas. As suas dungeons são bem diferentes uma das outras, mas, infelizmente, oferecem poucos puzzles, que são muito simples como ter que encontrar uma alavanca ou empurrar uma pedra.
Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Já o maior acerto de Tales of Berseria Remastered, ao menos para o público brasileiro, está em incluir legendas em português, que por sinal foram muito bem localizadas com as devidas adaptações para alguns diálogos e até “sotaques” fazerem sentido.
Combate esquecível para a série Tales of
Um dos grandes destaques da franquia Tales of sempre foi o seu sistema de combate e algumas particularidade, mas infelizmente esse é um dos grandes defeitos de Tales of Berseria Remastered. Ele é um RPG de ação que tenta se apresentar complexo, mas as suas mecânicas deixam ele engessado e comprometem a diversão.
Assim como nos outros jogos da franquia, Tales of Berseria dá bastante valor ao sistema de combos, mas o seu grande problema está em limitar os principais movimentos e ataques do jogador ao que ele chama de “Medidor de Almas”. Nele, cada alma permite uma ação dentro do combo e, caso algo seja feito diferente do esperado, a quantidade de golpes fica restrita.
Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Ao tentar atacar sem almas, os nossos golpes podem ser parados, revidados ou simplesmente inefetivos. Caso as almas fossem recarregadas ao esperar e correr para longe, isso não seria um problema, mas a recarga delas só ocorre com combos certos ou quando fazemos esquivas perfeitas, que honestamente tem uma mecânica datada e com um “timing” não amigável.
Outro ponto em que Tales of Berseria muda em relação a outros Tales é no uso das magias. Nele, você não usa elas através do direcional ou de forma separada, basicamente, todos os botões de ataques estão relacionados a uma magia ou movimento, ou seja, não existe aquele ataque básico mais tradicional.
Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Com todos esses detalhes, o combate de Tales of Berseria é simples demais e, ainda assim, não consegue ser tão funcional. O jogo ainda tenta implementar algumas mecânicas, como a da Libertação de Almas, que seria algo mais poderoso, mas o conjunto não parece encaixar de forma natural.
Pelo lado positivo, cada personagem de Tales of Berseria Remastered possui suas próprias características e habilidades que precisam ser ativadas de forma diferente, mas isso, infelizmente, não é o suficiente para deixar as lutas menos frustrantes.
E por falar em personagens, outra mecânica que não é legal em Tales of Berseria Remastered é em precisarmos de pontos para trocarmos entre os personagens que não estão ativos na batalha. Dessa forma, caso a gente não coloque um personagem como ativo antes da batalha, temos essa dependência.
Em relação a dificuldade, a maioria dos combates de Tales of Berseria Remastered são fáceis, exceção feita a um chefe ou outro. Para quem busca desafio, a remasterização permite mudar o nível de dificuldade, mas honestamente, até mesmo no modo mais difícil, a única diferença que notei foi no tempo em que levava para derrotar um inimigo.
Progressão em Tales of Berseria Remastered também não ajuda
E se o combate de Tales of Berseria Remastered já não é dos mais cativantes, infelizmente, o mesmo pode ser dito quanto ao seu sistema de progressão. Como é possível notar na imagem abaixo, você terá, na maior parte do tempo, equipamentos com o mesmo nome.
Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Mas apesar de carregarem o mesmo nome, os equipamentos fornecem atributos levemente diferentes. A grande maioria deles não chega a representar uma grande diferença, uma vez que quase nenhum equipamento melhora todos status sem piorar outro.
Já um dos motivos para os equipamentos terem o mesmo nome é que os itens duplicados e que não estão em uso podem ser desmontados para aprimorar os outros.
Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Dessa forma, a maior parte da evolução em Tales of Berseria Remastered fica por conta dos níveis. Não existe, por exemplo, sequer uma forma de liberar novas magias ou movimentos em algum menu, apesar de eles poderem ser desabilitados ou habilitados para os combos.
Por conta de todos esse detalhes, não ver itens realmente novos e equipamentos especiais realmente deixam a sensação de progressão frustrante.
O que o remaster traz de novo?
O Tales of Berseria Remastered traz algumas novidades que vão além de melhorias gráficas, mas que talvez não façam tanta diferença. Como mencionado anteriormente, algo que realmente agrada no remasterização é o fato de termos legendas em português.
Já graficamente, Tales of Berseria não envelheceu mal e, honestamente, notei pouquíssimas mudanças em seus gráficos ao testá-lo na versão de PlayStation 5. Em algumas raras ocasiões, eu tive pequenas quedas na taxa de quadros por segundo, que ocorreram tanto em combate quanto ao encontrar inimigos no mapa.
Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
A movimentação dos personagens foi aumentada em 20%, algo que considero bem positivo. Mas mesmo com os personagens correndo mais rápido, ainda admito ter sentido falta de um botão para poder acelerar a sua “corrida” em determinados momentos.
Para deixar os jogadores menos perdidos, o Tales of Berseria Remastered implementou uma “estrela” no mini mapa indicando onde está o seu objetivo principal. A ajuda é bem-vinda e, felizmente, ela não deixa explícito a todo momento para onde devemos ir. Além disso, agora é possível habilitar ou desabilitar os encontros com inimigos.
No começo do jogo, nós também ganhamos acesso à Loja de Grau, que permite ativarmos alguns bônus interessantes como experiência dobrada, mais pontos de vida e outras opções.
Imagem: Alvaro Neto/Flow Games
Por último, mas não menos importante, Tales of Berseria Remastered vem com todos os DLCs lançados para o jogo original.
Tales of Berseria Remastered vale a pena?
Eu sou um grande fã de JRPGs e sempre tive um carinho pela série Tales of. O Tales of Berseria Remastered até chega a ser um JRPG divertido, mas, ao menos em minha opinião, é fato que ele não se destaca na franquia de forma positiva.
A sua história é realmente bem elaborada e chega a cativar, mesmo que alguns personagens não tenham carisma. Já o combate e o sistema de progressão são realmente os seus pontos mais frustrantes, que acabam sendo simplificados por demais pelo motivos errados.
O Tales of Berseria Remastered surge como uma opção interessante para quem deseja conhecê-lo em plataformas mais atuais, mas talvez não tenha muito apelo para quem já o jogou no passado.
Tales of Berseria Remastered foi gentilmente cedido pela Bandai Namco para a realização desta análise e testado no PlayStation 5