Home TecnologiaApple, 50 anos: funcionário mais antigo ganhou ações que hoje valem milhões e viu big tech quase quebrar

Apple, 50 anos: funcionário mais antigo ganhou ações que hoje valem milhões e viu big tech quase quebrar

por edineymartinstorres


Chris Espinosa tinha só 14 anos quando começou a trabalhar na Apple
Reprodução Vídeo Institucional Apple / Apple Fandom
Chris Espinosa tinha só 14 anos quando começou a trabalhar na Apple, em 1976. Meio século depois, ele segue na empresa. No mercado de tecnologia, essa é uma história cada vez mais rara.
Hoje, aos 64 anos, Espinosa é considerado o funcionário mais antigo da Apple. A trajetória dele foi destaque em uma reportagem do jornal “The New York Times”, que contou como o veterano participa, até hoje, do desenvolvimento do sistema operacional da Apple TV.
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Espinosa representa um perfil típico da geração baby boomer: profissionais que constroem toda a carreira em uma única empresa. Esse tipo de percurso se tornou incomum, sobretudo no Vale do Silício, onde trocar de emprego com frequência virou regra.
Nascidos entre meados dos anos 1940 e o início da década de 1960, os baby boomers cresceram em um mercado de trabalho baseado na estabilidade. A promessa era clara: dedicação agora, segurança mais tarde.
Como mostrou uma reportagem do g1 publicada em agosto no ano passado, gerações mais antigas entraram no mercado em um período de vínculos duradouros, benefícios garantidos e progressão de carreira atrelada ao tempo de casa.
“O lema era: trabalho agora para viver melhor depois”, explicou o especialista em mercado de trabalho Ricardo Nunes.
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Foi nesse ambiente que surgiram profissionais como Espinosa. Pessoas que ficaram décadas na mesma empresa e ajudaram a construí-la passo a passo.
Hoje, o cenário é outro. Profissionais mais jovens enfrentam um mercado marcado pela precarização, pela automação e pela alta rotatividade para conseguir avança na carreira, segundo Nunes. No setor de tecnologia, mudar de emprego a cada dois ou três anos se tornou algo comum.
Uma carreira construída dentro da Apple
Espinosa foi o oitavo funcionário da Apple. Na época, a empresa ainda funcionava na casa de infância de Steve Jobs e montava computadores manualmente.
Ao longo de quase 50 anos, ele passou por várias funções. Trabalhou como programador, cuidou da documentação de produtos e, atualmente, atua no desenvolvimento do sistema da Apple TV.
Ao Times, Espinosa descreveu o início da empresa como um período instável. Segundo ele, havia grandes promessas, mas também muita incerteza.
Mesmo quando deixou a Apple por um curto período para estudar na Universidade da Califórnia, em Berkeley, ele manteve vínculo com a empresa. Trabalhou meio período e escreveu o extenso manual do Apple II, com mais de 200 páginas.
A carreira também atravessou momentos difíceis. Nos anos 1980 e 1990, a Apple enfrentou crises e promoveu demissões em massa. Espinosa contou que só não foi desligado porque sua indenização seria alta, já que ele acumulava muitos anos de empresa.
Sem diploma universitário e com experiência concentrada quase exclusivamente na Apple, ele chegou a pensar no futuro. Decidiu ficar.
“Eu estava aqui quando acendemos as luzes. Posso muito bem ficar até que as apaguemos”, afirmou ao jornal.
Além da estabilidade, funcionários antigos da Apple também se beneficiaram financeiramente do crescimento da empresa.
Segundo o New York Times, Espinosa recebeu 2 mil ações da Apple após a abertura de capital, em 1980. O bônus fazia parte de um plano criado por Steve Wozniak para recompensar os primeiros funcionários. Hoje, essa quantidade de ações valem cerca de US$ 114 milhões, valor equivalente a R$ 588 milhões.
Esse modelo é comum em empresas de tecnologia. Além do salário, trabalhadores recebem ações da companhia. Se a empresa cresce, os papéis se valorizam. Para quem permanece por muitos anos, o resultado pode ser uma fortuna.
Espinosa não revelou detalhes atuais sobre salário ou bônus. Ainda assim, sua trajetória mostra como esse tipo de benefício pode pesar na decisão de ficar.
A transformação da Apple
Ao longo das cinco décadas de Espinosa na empresa, a Apple mudou radicalmente. Após o crescimento inicial, a companhia enfrentou crise financeira e perdeu o rumo nos anos 1990.
A virada veio em 1997, com o retorno de Steve Jobs. Segundo Espinosa disse ao New York Times, os primeiros 20 anos da Apple foram marcados por “arrogância”. Já as décadas seguintes redefiniram a eletrônica de consumo, com produtos como o iPod e o iPhone.
Hoje, a Apple está entre as empresas mais valiosas do mundo. Vale trilhões de dólares e tem bilhões de dispositivos em uso.
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Espinosa é considerado o funcionário mais antigo da Apple.
Arquivo institucional Apple
Espinosa representa um perfil típico da geração baby boomer:
Vídeo Institucional Apple/ Reprodução

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