
É #FAKE anúncio no X que inventa cenas de briga entre Vera Magalhães e CEO do BTG no Roda Viva para impulsionar site de investimentos de alto risco
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Circulam nas redes sociais imagens de uma suposta briga entre a jornalista Vera Magalhães e o empresário Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, que teria ocorrido durante o programa Roda Viva, da TV Cultura. É #FAKE.
Selo Fake (Horizontal)
g1
🛑 Como é o anúncio?
As imagens viralizaram como anúncio patrocinado no X e têm legendas como: “Momento captado nos bastidores da TV”; “Agora todo mundo vai descobrir isso!”; e “A transmissão foi interrompida exatamente na hora errada e ninguém tá explicando o porquê. Algo foi detectado antes que você pudesse ver. Quem mandou esse trecho? Veja o que eles não queriam que você soubesse”.
Esses enunciados omitem que o conteúdo foi fabricado com inteligência artificial (IA). Também não deixam explicito que se trata de peças de propaganda para levar o usuário a uma plataforma de investimentos de alto risco. Ao Fato ou Fake, assessoria de imprensa da TV Cultura disse que é falso o site com símbolos da emissora e que Sallouti nunca concedeu entrevista ao Roda Viva, informação confirmada por representantes do próprio BTG Pactual. (Veja todos os detalhes da checagem mais abaixo.)
O Fato ou Fake também entrou em contato com Vera Magalhães. Ela disse ter acionado o escritório de advocacia que a representa, para notificar as plataformas a retirar esses conteúdos do ar: “É uma coisa tão tosca que tenho dificuldade até de entender que tipo de golpe é. Em algumas montagens, chega a haver três versões ‘minhas’, uma assistindo, uma apresentando o programa e outra brigando com alguém. Imaginei que ninguém levaria isso a sério, mas me assustei quando uma fonte me perguntou se era verdade”.
As “fotos” exibem o que seriam registros de uma suposta briga entre Vera Magalhães e Robderto Sallouti no estúdio Roda Viva, da TV Cultura. Em alguns quadros, aparece a imagem do atual apresentador do programa, Ernesto Paglia, posicionado entre a dupla, como se fosse para apartar a discussão.
Sobreposto às imagens, há um símbolo do botão “play”, para induzir os usuários a clicarem ali, achando que irão assistir ao vídeo do confronto.
Na verdade, o clique leva a um site que imita a aparência da página da TV Cultura e exibe o seguinte título:”Você está roubando as famílias brasileiras! A entrevista com Vera Magalhães terminou em escândalo. O CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti, abandonou o estúdio após ser confrontado pela jornalista”.
Um texto simula um diálogo em que a jornalista e ex-apresentadora do Roda Viva recomenda uma plataforma de investimentos de risco e oferece um link. Ele leva um chat no qual uma atendente virtual faz várias perguntas pessoais, como nacionalidade, faixa etária, se tem filhos maiores de 18 anos, ocupação, nome, e-mail e número do celular.
Na sequência, o usuário é direcionado a uma plataforma estrangeira de investimentos em forex (foreign exchange), mercado global de compra e venda de moedas. As telas seguintes induzem a pessoa a fazer um depósito de pelo menos US$ 100 via cartão de crédito, débito, criptomoedas ou processadores globais de pagamento, para começar a negociar.
Um aviso no rodapé da página afirma que alguns bancos emissores restringem cartões de crédito para entretenimento on-line, termo associado a jogos de azar ou plataformas de alto risco, e não a corretoras financeiras tradicionais. As taxas de ganho exibidas na tela superam 600%, taxa considerada elevadas para o mercado financeiro tradicional.
⚠️ Por que é #FAKE?
O Fato ou Fake submeteu algumas dessas imagens à ferramenta Hive Moderation, que detecta conteúdos fabricadoss com IA. Resultados das análises: alta probabilidade (99,7%, 99,9% e 80,8%) de esse recurso ter sido usado para fabricar o material (veja infográfico abaixo).
O Fato ou Fake submeteu à ferramenta de detecção Hive Moderation as imagens apontadas como se fossem da jornalista e do empresário. A plataforma apontou que as imagens contêm inteligência artificial.
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Na sexta-feira (5), a TV Cultura publicou em seu perfil oficial no Instagram um comunicado dizendo: “A Fundação Padre Anchieta [responsável pela emissora] alerta: golpistas estão criando vídeos falsos, com inteligência artificial, usando o programa Roda Viva, da TV Cultura. Esses conteúdos estão circulando nas redes sociais, e quando o usuário clica no link dessas publicações, pode ter os dados pessoais e bancários expostos”.
Procurada, a assessoria de imprensa TV Cultura enviou a seguinte nota: “A Fundação Padre Anchieta tem acompanhado com rigor os casos de manipulação e uso indevido de seus conteúdos e marcas em plataformas digitais para a disseminação de informações falsas. A instituição não aprova a utilização e a alteração de suas propriedades intelectuais, por meio de Inteligência Artificial, para a criação deliberada de conteúdo enganoso e a exposição inapropriada de seus jornalistas, apresentadores e colaboradores. À medida que toma conhecimento desses casos, a Fundação adota as providências cabíveis, notificando as empresas responsáveis pelas plataformas de redes sociais e todo conteúdo relacionado ao ambiente digital. Tais notificações são imediatamente expedidas quando identificado o uso irregular de marcas da TV Cultura ou a associação não autorizada de material da emissora a publicações inverídicas. Caso as providências solicitadas não sejam adotadas, a Fundação utilizará as medidas juridicamente pertinentes, mais gravosas, para proteção de sua imagem institucional, de suas produções e das propriedades da emissora”.
O Fato ou Fake também mostrou o site de investimentos à assessoria da Comissão de Valores Mobiliários, que explicou:
A atuação da CVM alcança ofertas realizadas por entidades estrangeiras quando há esforço de captação dirigido ao público brasileiro, como publicidade em português, recebimento de recursos por meios de pagamento locais ou atendimento a clientes residentes no país. Nessas situações, as regras vigentes do mercado de valores mobiliários são aplicáveis, e a CVM pode adotar medidas administrativas, inclusive com a emissão de alertas e ordens de suspensão.
Até o momento, não há oferta pública de contratos por diferença (CFD) ou operações no mercado Forex autorizada ou registrada no Brasil.
Em relação a promessas de retornos fixos ou expressivos, a CVM alerta que não existem investimentos com rentabilidade garantida e risco reduzido nesse tipo de operação. O mercado de CFD/Forex é altamente especulativo e envolve alavancagem, o que potencializa tanto ganhos quanto perdas, podendo levar à perda integral dos valores investidos.
Da página de “alertas ao cidadão”, constam avisos da CVM sobre ofertas/atuações irregulares no mercado, sem autorização da autarquia. Além disso, a CVM recomenda a leitura da cartilha sobre CFD/Forex, que reforça orientações aos investidores e esclarece os riscos associados a esses produtos.
Todo cidadão pode, sempre que considerar necessário, encaminhar denúncias e reclamações à CVM, além de buscar esclarecimentos junto à Autarquia, por meio do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC), a respeito dos mais variados assuntos no âmbito do mercado de capitais.
Por fim, o Fato ou Fake procurou a assessoria do X e pediu uma manifestação sobre as alegações contidas nos anúncios, mas não havia obtido resposta até a última atualização desta reportagem.
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