Coincidência ou não, com a popularização dos podcasts nos últimos anos, talk shows diários entraram em declínio na TV aberta. Há uma década, as quatros maiores emissoras do país apostavam no formato. Hoje, apenas o “The Noite” sobrevive no SBT. “Conversa com Bial” que perigou a ser extinto, ganhou mais sobrevida, mas, nessa nova temporada, o programa se tornou semanal.
Em seu retorno à grade da Globo, “Conversa com Bial” apostou no carisma e na popularidade da atriz Fernanda Torres para chamar a atenção do público. A entrevista, que dedicou boa parte do tempo para falar do sucesso de “Ainda Estou Aqui” e da loucura que foi a corrida pelo Oscar, apesar de boa e divertida, soou anacrônica. Tivesse sido realizada no ano passado logo após os acontecimentos, a entrevista teria tido mais impacto.
Fosse num programa diário, isso não seria um problema, pois um talk show exibido cinco vezes na semana nem sempre dá conta de pautar entrevistas com temas quentes e recorre a personalidades interessantes ou a assuntos curiosos para entregar entretenimento e informação. Um formato semanal, porém, pede um pouco mais de cuidado nesse sentido. Agora que possui uma frequência menor, “Conversa com Bial” tem a necessidade de trazer assuntos que estão em voga através de personagens relevantes e aprofundar diálogos que possam ressoar na sociedade.