Há meses falava-se numa possível reestruturação do organograma da Globo nos bastidores do audiovisual. Esses rumores foram confirmados nesta sexta com o anúncio da demissão de Manuel Belmar, diretor de Produtos Digitais, Finanças, Jurídico e Infraestrutura da Globo, e de Pedro Garcia, diretor de Direitos Esportivos. Entre as razões apontadas para a saída desses executivos está a decisão de abrir mão da exclusividade dos jogos da Copa do Mundo 2026.
Ao afastar Belmar e Garcia, a Globo mostra que não digeriu bem o fato de ter se tornado coadjuvante na transmissão do Mundial da FIFA, o que permitiu um crescimento vertiginoso da Cazé TV. Em um momento em que a Globo luta para não perder espectadores para o streaming, a opção por não exibir todas as partidas se mostrou um grande equívoco e arranhou a imagem da emissora, que sempre foi conhecida por ser a grande detentora dos direitos dos eventos esportivos mais populares.
Com a reorganização de seu organograma, a Globo dá um recado claro aos funcionários do alto escalão: erros estratégicos que expõem o canal a situações vexaminosas são fatais para quem os cometeu. Ao mesmo tempo, a emissora sinaliza que está disposta a fazer o que for necessário para reconquistar o espaço que ocupou durante anos na vida dos brasileiros: o veículo de comunicação com as melhores e mais variadas opções de entretenimento para o público brasileiro, uma posição que foi sendo, gradualmente, deixada de lado nos últimos anos por cortes de gastos comandados por Belmar.