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‘Godzilla Minus Zero’ prova que só o Japão entende seus monstros

por edineymartinstorres

'Godzilla Minus Zero' é versão espetacular do maior sómbolo pop japonês
‘Godzilla Minus Zero’ é versão espetacular do maior sómbolo pop japonês Imagem: Sato Company

Assim como fez em “Minus One”, Yamakaki concentra a narrativa de “Minus Zero” em seu elenco humano. O roteiro se debruça deliciosamente em sua pseudo ciência e na apresentação do novo kaiju – um velho conhecido do universo de Godzilla. O fórmula de ocultar seus monstros funciona novamente, com sua revelação preenchendo a tela em toda sua glória – visualmente, “Minus Zero” etsá um passo além de seu antecessor.

“Preencher a tela” não é somento força de expressão. Filmado para aproveitar ao máximo a força dos cinemas Imax, “Godzilla Minus Zero” é experiência sensorial com o volume no talo, sua construção sonora que ameaça arrentar as caixas (e os tímpanos). É um filme capaz de reverberar fisicamente. Quando os dois monstros finalmente explodem em cena, o que testemunhamos é a força do cinema em sua forma mais primal.

O espetáculo embala um subtexto sobre os espólios da guerra e o desejo em transformar forças da natureza em equipamento bélico – a cutucada na natureza predatória dos Estados Unidos não é sutil. O texto ainda acha espaço para uma trama de vingança conectada ao ataque em Hiroshima, uma história de família e redenção e, em seus momentos mais psicodélicos, torna-se terror de modificação física do mais brutal. Tem de tudo e nada é demais.

A tese provada com louvor por “Godzilla Minus Zero” é que Hollywood pode tentar seu melhor, mas nenhum cineasta do Ocidente é capaz de compreender o papel do Rei dos Monstros como símbolo de terror tangível e de consequências devastadoras. A série ianque continua ano que vem com “Godzila X Kong: Supernova”, e tudo bem enxergar a criatura como propriedade intelectual para estampar lancheiras. É um cosplay de luxo. O que Takashi Yamazaki criou, contudo, é o artigo genuíno.

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