Home Entretenimento‘Assalto à Brasileira’ remonta Brasil que chegou ao limite nos anos 80

‘Assalto à Brasileira’ remonta Brasil que chegou ao limite nos anos 80

por edineymartinstorres

“O que a gente pode fazer dentro desse comercial para ter um pouco de anarquia e não ser um filme fofinho?”, questionou-se Benício. “Eu decidi fazer o Paulo mais pesado, suado o tempo inteiro, com a barriga de fora e a camisa desabotoada. Tinha muito dos meus tios de churrasco de domingo ali. Também fumei cigarro de verdade em cena — pedi para a equipe de arte recriar um maço de Free, que era a cara dos anos 80.”

Diferente do elenco jovem, que passou por uma intensa preparação coletiva, Murilo — que estava finalizando outro projeto — chegou depois aos ensaios. Ele revela que a falta de intimidade inicial com o grupo acabou jogando a favor da narrativa. “Eu não sou um ator de preparo coletivo, para mim é sempre um sacrifício. Mas calhou de ser perfeito: o Paulo não conhecia aqueles sujeitos, então a distância inicial serviu muito bem ao filme. Depois, no set, criamos uma parceria incrível.”

Improviso e cumplicidade

Tanto Christian quanto Murilo destacam que a harmonia do elenco permitiu que o improviso fluísse com naturalidade e verdade. Uma das cenas mais marcantes do longa — na qual Moreno distribui dinheiro aos reféns antes de liberá-los para um ônibus, justificando que o valor seria para “cirurgias” ou “formaturas” — sequer estava roteirizada daquela forma.

“Essa cena da distribuição do dinheiro foi inteira improvisada”, revela Malheiros. “O Belmonte deu a ação, me entregou uma quantia de dinheiro cenográfico e disse para eu distribuir como quisesse. Ninguém sabia quem ia receber o dinheiro, as reações dos figurantes e reféns foram legítimas, pegas no susto. Ficou uma das coisas mais bonitas do filme.”

Para Murilo Benício, que também tem experiência atrás das câmeras como diretor, esse jogo de cintura é a grande marca do cinema nacional e o diferencial de Assalto à Brasileira perante produções estrangeiras do gênero.
“Filmes de assalto a banco verdadeiros são raros, e os americanos são sempre muito sérios. Nós resolvemos ir por um lado mais bem-humorado, com a ginga que o brasileiro tem para improvisar e dar um jeito nas coisas”, analisa Murilo.

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