Pois é, de fato o projeto começou com apenas Yang Bing envolvido, ainda em 2014. Só dois anos depois ele postou um trailer em seu canal no YouTube, a Sony gostou do que viu, e então o procurou para fazer uma parceria no que hoje é conhecido como a iniciativa China Hero Project, focada em apostar em projetos chineses para o ecossistema PlayStation.
A leitura de que a China era um mercado com potencial gigante certamente tinha valor — Black Myth Wukong que o diga —, mas infelizmente, desta vez, nem mesmo o financiamento adicional e uma equipe crescente (40 pessoas ainda em 2022) bastaram para elevar Lost Soul Aside além da mediocridade. Entenda no nosso review completo a seguir.
Imagem: Steam
Lost Soul Aside é esquecível em tudo o que faz
É bem difícil se importar com a história do jogo, apresentada tanto em breves cutscenes sem inspiração como em diálogos entre personagens praticamente estáticos — de longe, a exposição mais sofrível —, mas nela acompanhamos o protagonista Kaser e a sua irmã mais nova Louisa, dois órfãos da Guerra entre o império de Celestria e o Reino de Frosthold.
A política aqui fica só em um pano de fundo sem sal mesmo. Os dois irmãos entram para a rebelião local mas acabam sendo surpreendidos pelos Voidrax, invasores de outra dimensão que roubam a alma das pessoas. O sobrenatural, esse sim, é mais proeminente na trama.
Afinal, logo o nosso herói acaba encontrando ao acaso com um Voidrax similar a um dragão, o Lord Arena. Os dois se fundem e Kaser fica bem mais poderoso, o que é bom, já que ele está prestes a partir em uma missão de vingança por sua irmã, que teve a alma tomada pelos Voidrax.
Imagem: UltiZeroGames
Tudo isso acontece em menos de uma hora de gameplay, mas estranhamente essa correria não impede a jornada de ser tediosa, até porque o excesso de informação deixa a gente meio anestesiado.
E olha que o DNA desse universo mistura duas franquias que eu gosto bastante: o mundo em si, além da identidade visual de alguns personagens principais e NPCs, certamente pega muito emprestado dos mais modernos Final Fantasy, por exemplo. Apesar de ser 99% linear, aqui e ali você pode explorar umas áreas que tem a maior carinha de Nomura-verso.
Já o sistema de combate chupa diretamente jogos como Devil May Cry e Bayonetta. No papel, pouca coisa me deixaria mais feliz do que ler essa combinação de palavras, ainda mais em tempos em que tudo que é jogo de ação se limita a copiar os soulslike. Então o que deu errado por aqui?
Os erros de Lost Soul Aside
A primeira decepção veio ao experimentar os diferentes modos de performance e gráfico. Caso você opte por priorizar a qualidade, eu tenho duas más notícias. Ao menos no PS5 base, console que usei para teste, os fps não caem, eles despencam em queda livre. Então nem precisa cogitar testar esse modo por aqui se não tiver um PS5 Pro em casa. Curiosamente, no modo performance, até mesmo pela fluidez constante, o jogo acaba até ficando mais bonito e agradável aos olhos. Irônico.
Imagem: UltiZeroGames
Relevado isso, passamos ao gameplay em si. Como falei, o sistema de combates, até por beber da fonte de gigantes do gênero, até poderia ser agradável no vácuo. Ele é atrapalhado, no entanto, por outros dois grandes fatores.
Primeiro, o design dos inimigos comuns e sub-chefes é desprovido de inspiração, com criaturas genéricas dividindo espaço com o que mais parecem bonecos falsificados de algum clone de Cavaleiros do Zodíaco, com armaduras feias e confusas. Segundo, dificilmente você entra no ritmo da ação, já que uma terrível decisão de design faz as lutas dividirem espaço com segmentos de plataforma que parecem saídos dos piores jogos da geração 64 bits.
Eu amo jogos de plataforma, estou voando no maravilhoso Silksong e adorando seus desafios, mas difícil mesmo é acertar os pulos imprecisos de Lost Soul Aside. E a dificuldade não parece ser intencional, mas sim fruto de controles descalibrados e plataformas posicionadas de forma atabalhoada. Parece algo saído de quando a indústria ainda estava aprendendo a fazer jogos em 3D.
Esse ritmo inconstante entre boas lutas (contra inimigos genéricos, infelizmente), plataforma terrível e diálogos insossos entre personagens estáticos acabou me dando um canseira braba, e dificilmente eu conseguia jogar mais de uma hora por dia. Apesar de o jogo ter chegado com algum atraso aqui na redação, bem no dia de seu lançamento oficial, a análise só saiu agora porque eu penei para conseguir jogar mais. Novamente, atente para o fato de que eu sou um fã em potencial do gênero dele, então isso é um péssimo sinal para Lost Soul Aside.

Mas tem algo de bom em Lost Soul Aside?
Entre os poucos pontos positivos do jogo, dá para destacar a sua competente trilha sonora orquestrada, que ocasionalmente empolga. É um contraste grande com a dublagem em inglês, que beira o meme de tão ridícula. Se quiser levar o jogo a sério, recomendo que experimente a superior performance original dos artistas em chinês.
Quando os combates funcionam, relevados os visuais e ataques sem muita inspiração dos inimigos, o processo de esquivar e dar parry funciona legal e Lost Soul Aside flerta com a ideia de evocar um pouco de diversão. Novamente voltando a hits como Bayonetta, se você esquivar na hora certa aciona um “tempo alternativo” (bem mais breve por aqui) em que dá para castigar os rivais.
Há uma variedade boa de armas também, e elas impactam o seu estilo de jogo de forma correta, recompensando a variação de estilos com mais ou menos velocidade, verticalidade, dano e etc. Não é nada de outro mundo, mas funciona bem, especialmente na hora dos encontros com os chefões principais, algumas das poucas lutas que realmente valem a pena no jogo, com alguma profundidade tática e espetáculo visual dividindo espaço.
Imagem: Steam
Vale a pena jogar Lost Soul Aside?
No fim das contas, Lost Soul Aside não vale a pena para fãs de jogos de ação, já que mesmo com sistemas de batalha competentes, eles são eclipsados por inimigos genéricos e péssimos trechos de plataforma. Quem gosta de RPG também vai torcer o nariz para a narrativa rasa e desinteressante. E quem busca um exclusivo de peso para ostentar o poder do PS5 não vai gostar de encontrar um produto tão sem polidez visual e mecânica.
Imagem: Steam
Lost Soul Aside é um jogo para ninguém. Se você busca por boa ação com tempero oriental no seu PS5, experimente os superiores Stellar Blade e Black Myth Wukong ao invés.
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