Dez anos depois de Capitão América: Guerra Civil (2016) ter colocado os Vingadores em lados opostos, a Marvel volta a trabalhar com a mesma tensão que marcou um dos momentos mais importantes de seu universo cinematográfico. Produções recentes reforçam a ideia de vigilância, controle governamental e medo público em torno de pessoas com poderes, reacendendo um conflito que parecia superado.
O gatilho mais recente surge no desfecho de Magnum, série do Disney+. No episódio final, o Departamento de Controle de Danos deixa claro que Simon Williams (Yahya Abdul-Mateen II) pode ser visto tanto como uma ameaça quanto como um ativo estratégico do governo. A fala não é casual e aponta para um caminho que ecoa diretamente os dilemas centrais de Guerra Civil.
Nos quadrinhos, o personagem chegou a atuar como agente sancionado pelo governo durante o evento original. No MCU (Universo Cinematográfico da Marvel), a possibilidade de Simon trabalhar para o DODC abre espaço para um cenário em que heróis passam a ser classificados, monitorados e usados como ferramentas institucionais, algo que inevitavelmente gera divisões internas.
Esse movimento não acontece de forma isolada. Nos últimos anos, a Marvel vem reconstruindo o sentimento anti-heróis em diferentes frentes. Magnum apresenta uma cláusula que impede pessoas com poderes de atuarem em Hollywood. Já Demolidor: Renascido mostra o prefeito Wilson Fisk (Vincent D’Onofrio) criando uma força tarefa anti-vigilantes em Nova York, elevando o confronto entre Estado e justiceiros urbanos.
Time do Capitão América em cena de Guerra Civil
(Foto: Divulgação/Marvel Studios)
Marvel pode repetir rivalidade de Guerra Civil
Mesmo com a revogação dos Acordos de Sokovia, o controle não desapareceu. O DODC deixou de atuar apenas em ações de limpeza e se transformou em uma agência de vigilância completa, com direito a prisões de segurança máxima para indivíduos com habilidades especiais. A estrutura lembra, em essência, o ambiente que levou à ruptura dos Vingadores em 2016.
A tensão tende a crescer ainda mais com a chegada iminente dos mutantes ao MCU. A introdução dos X-Men deve amplificar o medo, a desconfiança e a pressão política, criando um terreno fértil para que heróis sejam forçados a escolher lados outra vez.
Uma década após Guerra Civil, a Marvel parece menos interessada em repetir o evento de forma direta e mais focada em reconstruir lentamente o conflito. O resultado é um MCU novamente dividido, com o governo no centro das decisões e os heróis diante de um dilema que já mostrou, no passado, o quanto pode ser destrutivo.
Inclusive, o próximo filme da Marvel – Homem-Aranha: Um Novo Dia – deve continuar explorando esse tema com Peter Parker (Tom Holland). O personagem já teve problemas com o DODC, enquanto Justiceiro (Jon Bernthal) e Hulk (Mark Rufallo) podem ser os próximos alvos da agência. O quarto longa da franquia estreia em 30 de julho nos cinemas.
Tom Holland nos bastidores de Homem-Aranha: Um Novo Dia
(Foto: Divulgação/Sony Pictures)
