A companhia chegou a alterar a estrutura da oferta para pagamento em dinheiro. Essa foi uma tentativa para acelerar o fechamento do acordo, mas manteve o teto financeiro estabelecido.
Para Sarandos, a estratégia da Paramount Skydance, que pretende assumir dívidas bilionárias para concluir a aquisição, deve atingir o volume de produções. “Isso significa menos produção, menos gente trabalhando”, disse. Segundo ele, os cortes previstos ultrapassariam 16 bilhões de dólares, cerca de R$ 82 bilhões, em custos, o que, na prática, deve levar a mudanças estruturais no setor audiovisual.
A proposta da Netflix enfrentou críticas de sindicatos, políticos e figuras da indústria, em parte pela relação da empresa com o circuito tradicional de cinemas. Ainda assim, Sarandos negou que a pressão política tenha influenciado a decisão de sair da disputa. “Havia uma narrativa crescente de resistência política. Mas seguíamos um caminho regulatório normal”, afirmou. Ele também disse que a investigação conduzida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos foi encerrada. “Estamos liberados”, declarou.
Apesar das críticas recebidas durante as negociações, Sarandos afirmou que o processo aproximou a Netflix dos exibidores e abriu espaço para novas parcerias. “Acho que vamos achar um monte de coisas legais para fazer juntos daqui para frente”, disse, ao comentar a possibilidade de ampliar lançamentos da plataforma nas salas de cinema.
Ao comentar a repercussão negativa entre parte do mercado e de Hollywood, o executivo afirmou que o setor atravessa um período de instabilidade e que havia resistência à venda da Warner Bros. “As pessoas, na realidade, não queriam que a Warner fosse vendida para ninguém”, afirmou.
Sarandos reforçou que a empresa via valor estratégico na aquisição, mas não dependia dela. “Nós definitivamente queríamos esse ativo. Não precisávamos dele. Segundo ele, abandonar a disputa rapidamente foi uma decisão racional. “Alguém ia perder esse negócio por um dólar. E quanto mais rápido você aceitasse isso, melhor.”