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Como as stablecoins estão mudando o uso do dinheiro

por edineymartinstorres

As stablecoins são criptomoedas feitas para manter um preço pareado ao de moedas como o dólar ou o real. Elas usam a tecnologia blockchain e não sofrem a volatilidade comum vista em outras criptos, unindo inovação com segurança.

Essa classe de ativos têm se tornado cada vez mais popular e em 2026 bateu um recorde: mais de US$10 trilhões foram movimentados com stablecoins via redes blockchain. Além de ajudarem a proteger o patrimônio contra as variações dos criptoativos e câmbio, elas também são usadas para fazer pagamentos internacionais, negociar ativos digitais e servir como base para aplicações financeiras descentralizadas (DeFi).

Em 2026, as principais stablecoins do mercado são a Tether (USDT) e a USD Coin (USDC), que juntas movimentam mais de 90% do volume global de transações, segundo dados do DeFiLlama. A USDT, que é emitida pela Tether, é muito usada em países em desenvolvimento, ela é lastreada principalmente em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, que compõem as reservas que garantem as stablecoins emitidas. Esse lastro é o que sustenta a paridade do ativo com o dólar.

Já a USDC, criada pela Circle, é mais usada por empresas e bancos, por ter um foco maior em seguir as regras e exigências dos órgãos reguladores. Cada uma dessas moedas atende a públicos diferentes, mas todas têm o mesmo objetivo: oferecer estabilidade e confiança para quem as usa. 

Mesmo com a forte volatilidade recente do mercado de criptomoedas, estas stablecoins mantiveram seu valor pareado ao dólar, mostrando que já atingiram um patamar de confiabilidade e estabilidade técnica.  

O que aconteceu foi uma mudança no comportamento do mercado: muitos investidores tiraram dinheiro do Bitcoin e de outras criptos mais voláteis (as chamadas altcoins) e colocaram em stablecoins, inclusive, esse movimento ficou claro o aumento da dominância das stablecoins, que saiu de cerca de 10% em janeiro para aproximadamente 13% atualmente. Isso aumentou ainda mais o volume de uso dessas moedas e reforçou seu papel como ferramenta de liquidez.

Além desse uso, as stablecoins também têm um papel importante na tokenização de ativos, ou seja, na transformação de investimentos tradicionais em suas versões digitais, que funcionam na blockchain. Um exemplo disso são os títulos do Tesouro dos Estados Unidos que já foram extensamente tokenizados, somando quase US$ 8,6 bilhões em tokens representativos desta classe de ativos.

Um dos destaques nesse cenário é o fundo BUIDL, da gestora BlackRock, que usa blockchain para oferecer esses ativos de forma mais acessível e eficiente. No Brasil, o Mercado Bitcoin também entrou nesse mercado com a chamada renda fixa digital, onde usa a tecnologia blockchain para representar ativos tradicionais, como precatórios, dívidas privadas, entre outros, e são justamente as stablecoins que ajudam a dar liquidez e funcionalidade a esse novo tipo de investimento digital.

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Esse avanço mostra como as stablecoins estão mudando a maneira como usamos o dinheiro. Elas não são algo exclusivo do mundo cripto, pois agora fazem parte do dia a dia de pessoas, empresas e até governos.

Seja para proteger o valor do dinheiro ou facilitar investimentos, as stablecoins estão se tornando ferramentas cada vez mais úteis e acessíveis, com mais casos de uso e procura por parte dos investidores varejo e institucional. Em resumo, tudo indica que essas moedas digitais vão seguir crescendo e ocupando um espaço importante na economia do futuro.

Sobre a autora

Vanessa Oliveira cursa gestão financeira e está no mercado de criptoativos há 5 anos, é analista técnica e fundamentalista. Já participou como palestrante nos principais eventos de criptomoedas. Hoje atua como estagiária na equipe de Research no Mercado Bitcoin.

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