O diretor de investimentos (CIO) da Bitwise, Matt Hougan, afirmou que há um crescente descompasso entre a percepção dos investidores e a real atividade institucional em relação às criptomoedas, o que se reflete em uma má precificação dos ativos virtuais. Segundo ele, parte relevante de Wall Street já está migrando para infraestrutura onchain, mas o mercado ainda não percebeu a dimensão dessa mudança.
Em relatório, Hougan argumenta que o fenômeno pode ser explicado pelo chamado “viés de ancoragem”, tendência comportamental que leva investidores a se fixarem em narrativas antigas. Para ele, muitos ainda enxergam o setor sob a lente de episódios como o caso Silk Road ou o colapso da Mt. Gox, ignorando transformações estruturais em curso.
“Há um grande descompasso entre o que os investidores acham que está acontecendo no mercado cripto e o que realmente está acontecendo”, escreveu.
Como evidência, Hougan cita uma série de iniciativas institucionais recentes. Entre elas, a declaração do CEO da BlackRock, Larry Fink, de que o mercado está “no início da tokenização de todos os ativos”. A gestora lançou um fundo tokenizado de títulos do Tesouro americano e investiu na Uniswap.
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Outros exemplos incluem a tokenização do Diversified Credit Fund pela Apollo Global Management, o lançamento de um token de depósito pelo JPMorgan na rede Base e discussões entre grandes bancos para a criação de uma stablecoin conjunta.
Apesar disso, Hougan destaca que o mercado de ativos tokenizados ainda é pequeno frente ao sistema financeiro tradicional. Enquanto ETFs concentram cerca de US$ 30 trilhões e os mercados globais de ações e títulos somam aproximadamente US$ 110 trilhões e US$ 145 trilhões, respectivamente, o universo de ativos tokenizados gira em torno de US$ 20 bilhões.
Para o executivo, essa disparidade revela o potencial de crescimento caso a tokenização avance de forma mais ampla.
Onde o valor vai se concentrar?
Hougan reconhece, porém, que ainda há incerteza sobre como o valor será distribuído no ecossistema cripto. Entre as dúvidas, estão se blockchains públicas como Ethereum e Solana capturarão a maior parte do valor, se redes privadas ou semiprivadas como Canton Network terão vantagem, ou se os maiores beneficiados serão protocolos nativos do setor ou instituições financeiras tradicionais.
“A resposta honesta é: ninguém sabe ainda”, escreveu.
Mesmo assim, Hougan avalia que o desalinhamento entre percepção e realidade pode criar oportunidades. Segundo ele, os maiores ganhos costumam surgir quando a narrativa dominante está ultrapassada e os investidores ainda não ajustaram suas expectativas às mudanças estruturais já em andamento.
Para o CIO da Bitwise, adotar uma visão mais ampla e estratégica pode permitir que investidores se posicionem antes que o mercado incorpore plenamente a transformação que, segundo ele, já começou.
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