Home EntretenimentoDavid Dastmalchian, de ‘Rosario’, quer ser Zé do Caixão

David Dastmalchian, de ‘Rosario’, quer ser Zé do Caixão

por edineymartinstorres

“Rosario”, produção americana rodada em Bogotá pelo colombiano Felipe Vargas, é parte dessa jornada, um filme de terror contemporâneo mergulhado na tradição do terror religioso da América Latina. “Eu estava jogando ‘Dungeons & Dragons’ com o produtor John Silk, que mencionou um diretor super talentoso prestes a fazer este filme”, lembra. “Ele explicou que o projeto tinha estética de filmes de Sam Raimi, como ‘A Morte do Demônio’ e ‘Arraste-me Para o Inferno’, e abordava lendas e uma prática espiritual pouco exploirada no cinema.”

Esse convite ao desconhecido fisgou o ator, que começou no cinema em 2008 no seminal “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, ao estimular seu desejo em explorar mais histórias de diferentes culturas. “Representar personagens de realidades diferentes é vital”, conta. “Especialmente nos tempos em que vivemos agora, em que muitas pessoas no poder querem que acreditemos que imigrantes, que praticam religiões diferentes, devem ser vilanizados.”

O ator David Dastmalchian em ‘Rosario’ Imagem: Imagem

Religião é um tema central em “Rosario”. Uma investidora de Wall Street (Emeralde Toubia) recebe notícia da morte de sua avó, de quem há muito se afastara e que vivia sozinha, e precisa lidar com a burocracia da remoção do corpo. Com Nova York enfrentando uma nevasca, a jovem, Rosario, fica presa no apartamento, descobre as práticas religiosas da abuelita – que envolviam sacrifícios de sangue – e termina ameaçada por um demônio.

“Acredito que o poder do cinema é mostrar o quanto todos somos parecidos”, teoriza Dastmalchian, que em “Rosario” interpreta o vizinho da avó morta, que pode ou não ter conexão com suas práticas sobrenaturais. “No fim é um filme sobre morte, sobre perder quem amamos, sobre abandonar nossos ancestrais”, continua. “Principalmente, sobre como integrar o passado em nossa vida atual e ainda assim seguir em frente. Eu adoro todos esses temas.”

A busca pelo cinema de terror em suas manifestações se tornou parte da assinatura de Dastmalchian. “Quando você é um ator velho como eu, que senta em sua casa já muito acabado, é preciso encontrar essas novas vozes que nos despertam”, brinca. “Essa busca por produções entrangeiras de terror é o que me deixa ativo, filmes assustadores e desafiadores vindos do Sudeste Asiático e do Leste Europeu, feitos por pessoas que assumem riscos com sua arte”, diz. “São vozes que vem da África, do Oriente Médio, de partes do mundo em que o governo não permite tanta expressão.”

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