Balança comercial brasileira tem resultado positivo, apesar do tarifaço de Trump
O dólar iniciou o pregão desta sexta-feira (5) no aguardo de novos dados econômicos dos EUA. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
Em um dia de menor movimentação nos mercados, os investidores voltam suas atenções para os Estados Unidos. Nesta sexta-feira, será divulgado o relatório de folhas de pagamento não agrícolas (payroll), indicador-chave sobre o mercado de trabalho americano. Dependendo dos números, o resultado pode fortalecer as expectativas de cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed).
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▶️Na agenda econômica local, a balança comercial brasileira fechou com um superávit de US$ 6,133 bilhões em agosto. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o resultado representa um crescimento de 35,8% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Os dados também indicaram uma piora nas exportações aos EUA, em meio aos impactos do tarifaço imposto pelo presidente norte-americano, Donald Trump. No mês passado, o país registrou o 8º déficit consecutivo nas vendas ao país. (Entenda mais abaixo)
Veja a seguir como esses fatores influenciam o mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
a
Acumulado da semana: +0,47%;
Acumulado do mês: +0,47%;
Acumulado do ano: -11,85%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: -0,31%;
Acumulado do mês: -0,31%;
Acumulado do ano: +17,21%.
Balança comercial
A balança comercial do Brasil fechou o mês de agosto com superávit de US$ 6,133 bilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
O resultado representa um crescimento de 35,8% em relação a agosto do ano passado, com base na média diária.
As exportações somaram US$ 29,861 bilhões no mês, com aumento de 3,9% em relação a agosto de 2024. Já as importações totalizaram US$ 23,728 bilhões, uma redução de 2% na mesma comparação.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou US$ 227,583 bilhões — uma variação positiva de 0,5% na comparação com o mesmo período de 2024. As importações totalizaram US$ 184,771 bilhões, com alta de 6,9%.
Com esses resultados, a corrente de comércio — que corresponde à soma das exportações e importações — alcançou US$ 412,354 bilhões, crescimento de 3,2%.
Os dados também indicaram que as exportações brasileiras aos EUA registraram o oitavo déficit consecutivo no mês passado, em meio aos efeitos do tarifaço.
🔎O déficit comercial significa que o Brasil importou mais produtos americanos do que exportou para os Estados Unidos. Para a economia brasileira, esse fato representa um cenário desfavorável.
Dados de emprego nos EUA
A criação de vagas de trabalho no setor privado dos EUA ficou abaixo do esperado em agosto, em meio à desaceleração das condições do mercado de trabalho.
Foram abertos 54 mil postos de trabalho no setor privado no mês passado, 106 mil em julho, mostrou o Relatório Nacional de Emprego da ADP nesta quinta-feira.
Economistas consultados pela Reuters previam abertura de 65 mil empregos, depois de 104 mil relatados anteriormente em julho.
O mercado de trabalho está se abrandando, com os economistas culpando as tarifas de importação do presidente Donald Trump e uma repressão à imigração que prejudicou as contratações em canteiros de obras e restaurantes.
O governo informou na quarta-feira que havia mais pessoas desempregadas do que vagas disponíveis em julho, pela primeira vez desde a pandemia da Covid-19. O relatório “Livro Bege” do Federal Reserve na quarta-feira também observou que “as empresas estavam hesitantes em contratar trabalhadores devido à demanda mais fraca ou à incerteza”.
Bolsas globais
Os principais índices de Wall Street, fecharam em alta nesta quinta-feira, após os dados mais fracos do que o esperado de criação de vagas de trabalho no setor privado dos Estados Unidos. O número reforça a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) corte as taxas básicas de juros neste mês.
Os mercados europeus também apresentaram alta nesta quinta-feira, influenciados pela expectativa em torno das tarifas comerciais impostas pelos EUA. A tensão aumentou após um tribunal federal considerar a maioria dessas tarifas ilegais, o que levou o presidente Donald Trump a pedir que a Suprema Corte analise o caso com urgência.
Entre os principais índices europeus, o STOXX 600 subiu 0,61%, o DAX da Alemanha avançou 0,70%, e o FTSE 100 do Reino Unido registrou alta de 0,21%. Por outro lado, o CAC 40, da França, perdeu 0,27%.
Na Ásia, os mercados fecharam mistos, com destaque para a forte queda nas ações chinesas. O recuo foi provocado por rumores de novas regras contra especulação financeira e pelo fim de um evento político importante em Pequim.
No fechamento, o índice Nikkei de Tóquio subiu 1,53%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong caiu 1,12%. Em Xangai, o SSEC recuou 1,25% e o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 2,12%.
Já em outras regiões, houve alta: o KOSPI de Seul subiu 0,52%, o TAIEX de Taiwan avançou 0,33%, o STRAITS TIMES de Cingapura teve alta de 0,34%, e o S&P/ASX 200 de Sydney ganhou 1,00%.
Notas de dólar.
Reuters
*Com informações da agência de notícias Reuters