Home CriptomoedasE-mails de Epstein citam Bitcoin mais de 1.500 vezes; executivos cripto também aparecem

E-mails de Epstein citam Bitcoin mais de 1.500 vezes; executivos cripto também aparecem

por edineymartinstorres

Os novos arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) no caso Jeffrey Epstein voltaram a colocar o assunto no centro do debate público e, desta vez, com um detalhe que chamou atenção do mercado: termos e nomes ligados ao Bitcoin e criptomoedas aparecem centenas (e até milhares) de vezes no material.

Levantamentos a partir do mecanismo de busca do DoJ indicam que o cofundador da Tether, Brock Pierce, é uma das pessoas do setor que mais é citada, aparecendo 1.801 vezes nos arquivos, enquanto o termo “Bitcoin” surge 1.522 vezes.

Já a Coinbase é citada 266 vezes e Adam Back, pioneiro do Bitcoin e CEO da Blockstream, aparece 19 vezes. A criptomoeda Ethereum tem 69 menções nos documentos, enquanto o cofundador da rede, Vitalik Buterin, aparece oito vezes.

Diversos outros termos têm poucas menções, mas são citados em alguns momentos, como a corretora Binance (6 vezes) e o termo stablecoin (13). Vale lembrar que aparecer nos documentos não implica em nenhuma irregularidade e nem mesmo de que as pessoas tinham relação direta com Epstein, podendo, por exemplo, ser que executivos e termos específicos foram apenas foco de conversas do núcleo dele.

Por que “Bitcoin” aparece tanto?

Parte das ocorrências do termo “Bitcoin” tende a refletir o contexto do período em que os e-mails e anexos foram produzidos: nos anos 2010, o ativo já era tratado como tema de tecnologia e, em alguns círculos, como alternativa de pagamento e investimento.

Em documentos como os que fazem parte do acervo do DoJ (mensagens, anexos, discussões com terceiros e registros de contatos), é comum a palavra aparecer como referência a transferências, doações, oportunidades de negócios ou conversas laterais, sem necessariamente indicar que o assunto seja o foco central do arquivo.

Por exemplo, nos e-mails recentemente divulgados, há diversas sugestões de tentativas de Epstein de se aproximar de pessoas e iniciativas ligadas ao desenvolvimento e à pesquisa em torno do Bitcoin, em busca de influência e acesso a círculos estratégicos do ecossistema. Entre 2002 e 2017, ele doou US$ 850 mil ao MIT, sendo que US$ 525 mil foram destinados ao Digital Currency Initiative (DCI), ligado ao MIT Media Lab.

Os documentos mostram que, em 2015, parte desses recursos foi usado para remunerar desenvolvedores do Bitcoin Core de forma indireta depois que a Bitcoin Foundation ficou sem recursos. Neste momento o MIT passou a ocupar papel central no desenvolvimento do protocolo. Além disso, Joichi Ito, então diretor do Media Lab, manteve contato frequente com Epstein.

O material alimenta a leitura de que Epstein buscava capital social e conexões, uma característica recorrente em relatos sobre sua atuação, dentro do setor de criptomoedas, que naquele momento ainda era pequeno e não tinha o reconhecimento que tem hoje.

Citações à Coinbase e fundador da Tether

Um dos pontos mais explorados nos últimos dias é a menção a um investimento na Coinbase associado a Epstein. Segundo a leitura de e-mails nos arquivos, uma entidade ligada a Epstein teria adquirido ações na rodada Series C da Coinbase em 2014 (quando a empresa era avaliada em cerca de US$ 400 milhões).

O investimento foi intermediado para Epstein pelo cofundador da Tether, Brock Pierce, e pela empresa de venture capital de Pierce, a Blockchain Capital. Os e-mails indicam que Fred Ehrsam, cofundador da Coinbase, tinha conhecimento pessoal de que o investimento estava sendo feito em nome de Epstein.

Ainda de acordo com os documentos, anos depois teria havido negociação para venda parcial dessa participação com base em uma avaliação mais alta.

Leia também: Jeffrey Epstein foi um investidor inicial da Coinbase, revelam e-mails

A intermediação de Brock Pierce neste negócio não é única aparição dele nos documentos. Inclusive, são quase 2 mil aparições de seu nome no acervo do DoJ. Os dados avaliados até agora mostram uma relação próxima entre Pierce e Epstein.

Após a condenação de Epstein por crimes sexuais em 2008, os dois passaram a se comunicar com frequência. Registros de e-mails mostram que eles discutiam assuntos relacionados a criptomoedas e utilizavam suas redes de contatos para expandir negócios. Pierce chegou a convidar Epstein para visitar sua residência em Porto Rico e planejou ajudá-lo a estabelecer contato com os gêmeos Winklevoss, criadores da corretora Gemini, além de incluir Epstein nos planos de aquisição da Mt. Gox.

Adam Back e a reação no ecossistema

No caso de Adam Back, cofundador e CEO da Blockstream, a menção em e-mails do acervo gerou reação pública e até pedidos de renúncia de seu cargo na empresa. O pedido foi feito por Luke Dashjr, desenvolvedor veterano do Bitcoin e um dos primeiros colaboradores da Blockstream.

“As revelações recentes sobre Adam e a Ilha de Epstein ajudam a esclarecer parte da hostilidade de Adam em relação a mim e sua recente manipulação psicológica incentivando spam, mas eu nunca imaginei o quão grave e profunda era a corrupção”, disse Dashjr.

Leia também: Pioneiro do Bitcoin é alvo de pedido de renúncia após menção em e-mails de Epstein

Os documentos recém-divulgados mostram negociações repetidas entre Epstein e figuras ligadas à Blockstream durante os primeiros anos da empresa. Em julho de 2014, a equipe de Epstein discutiu planos para uma viagem dele a Montreal, onde o cofundador Austin Hill escreveu posteriormente que a “equipe da Blockstream se divertiu bastante” em um evento de comédia.

Em um e-mail separado para Amir Taaki, um dos primeiros desenvolvedores do Bitcoin, Epstein afirmou ter recebido recentemente “Andy Back” na ilha, embora não esteja claro se tal visita realmente aconteceu, e se o e-mail era uma referência incorreta a Adam Back ou se referia a outra pessoa.

Back se manifestou publicamente após a divulgação dos e-mails, afirmando que o investimento de Epstein na Blockstream ocorreu indiretamente por meio de um fundo associado a Joi Ito, então diretor do MIT Media Lab.

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