Home CriptomoedasEngie estuda minerar Bitcoin para driblar cortes de energia no Brasil

Engie estuda minerar Bitcoin para driblar cortes de energia no Brasil

por edineymartinstorres

A empresa de energia elétrica Engie avalia instalar baterias ou até data centers voltados à mineração de Bitcoin em seu recém-inaugurado complexo solar no Brasil, como forma de reduzir perdas causadas pelos cortes de geração de energia no país.

O movimento envolve o complexo Assú Sol, no Rio Grande do Norte, que se tornou o maior projeto solar de todo o portfólio global da empresa francesa, conforme reportou a Reuters. Com 753 megawatts (MW) de capacidade instalada, o empreendimento entrou integralmente em operação comercial neste mês, após dois anos e meio de obras e investimentos de R$ 3,3 bilhões pela Engie Brasil Energia.

Formado por mais de 1,5 milhão de módulos fotovoltaicos, o projeto tem capacidade para abastecer uma cidade de cerca de 850 mil consumidores. A produção é destinada a empresas que contratam energia no mercado livre. Ainda assim, a usina enfrenta restrições impostas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que determinam cortes na geração, os chamados “curtailments”.

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Segundo Eduardo Sattamini, country manager da Engie no Brasil, essas limitações têm impactado o negócio. “Isso está impactando o retorno do projeto. Mas para nós, uma grande companhia com muitas tecnologias de geração, o impacto não é tão grande quanto para as menores”, afirmou. Ele não detalhou qual percentual da produção da Assú Sol vem sendo restringido.

Os cortes de geração se tornaram um dos principais desafios para o setor de energia renovável no Brasil. Desde 2023, perdas bilionárias vêm sendo registradas por usinas solares e eólicas. O problema é consequência de um forte aumento da oferta de energia renovável, especialmente de geração distribuída solar, impulsionada por incentivos econômicos que levaram a um cenário de sobreoferta durante o dia.

Diante desse contexto, a Engie estuda criar demanda local para a energia que hoje deixa de ser escoada para o sistema. Entre as alternativas analisadas estão sistemas de armazenamento em baterias e a instalação de data centers para mineração de Bitcoin, que poderiam consumir a energia excedente diretamente no local.

Estamos analisando possíveis compradores para essa energia e acordos para que possamos gerar energia para ser usada na mineração de Bitcoin”, disse o executivo. Ele ressalta, no entanto, que não se trata de uma solução imediata. “É uma solução que não surge no mês que vem. Levará alguns anos para implementarmos.”

Apesar de celebrar a entrega do maior parque solar de sua história, a Engie sinaliza cautela para novos investimentos no segmento no Brasil. Segundo Sattamini, a companhia não pretende ampliar sua capacidade solar até que haja mudanças estruturais que resolvam o problema dos cortes e da sobreoferta de energia no período diurno.

“Não nos vejo investindo em nova capacidade solar até que se tenha uma solução para os cortes de geração e para a sobreoferta de energia durante o dia”, afirmou.

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