O Bitcoin aprofundou as perdas na tarde desta quinta-feira (5), com queda de 12% nas últimas 24 horas e sendo negociado na faixa de US$ 64 mil, o seu menor nível desde a eleição de Donald Trump, em novembro de 2024.
O desempenho amplia um movimento de correção que tem raízes em fatores macroeconômicos e geopolíticos, como juros elevados e maior aversão a risco global. Ainda assim, analistas avaliam que o gatilho específico da queda mais intensa ao longo do dia foi interno ao mercado de criptomoedas, com vendas motivadas por medo, quebra de níveis técnicos relevantes e liquidações automáticas de posições alavancadas.
A perda do patamar psicológico de US$ 70 mil é vista como um ponto de inflexão para o agravamento do movimento. Segundo Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin (MB), esse nível funcionava como um suporte relevante tanto do ponto de vista técnico quanto psicológico. “A perda dele aumenta a probabilidade de movimentos adicionais de queda no curto prazo, especialmente em um ambiente de maior aversão ao risco global”, afirma.
Para ele, a combinação entre a perspectiva de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos e o aumento das incertezas geopolíticas, como a escalada da tensão entre EUA e Irã, reduz a liquidez disponível para ativos mais voláteis, pressionando o Bitcoin.
Szuster também destaca que, caso a fraqueza persista, o Bitcoin pode buscar regiões de suporte mais abaixo, associadas a zonas de forte negociação no passado. Nesse contexto, ganha destaque a região dos US$ 61 mil, correspondente ao fundo de maio de 2024, onde o preço permaneceu em uma lateralização consistente entre fevereiro e outubro daquele ano.
Ainda assim, ele observa que o mercado opera próximo a níveis historicamente ligados a um sentimento extremo de medo, o que faz com que eventuais quedas adicionais coexistam com oportunidades de entrada mais atraentes para investidores de longo prazo.
Leia também: Polymarket indica piora do Bitcoin e dá 82% de chance do ativo cair para esse preço
Venda por medo foi gatilho da tarde, diz especialista
Para o analista da Boost Research, André Franco, o componente emocional teve papel central no aprofundamento da queda ao longo da tarde. Segundo ele, o mercado vinha tratando determinados níveis de preço como difíceis de serem rompidos, e a perda desses patamares acabou alimentando um movimento de vendas defensivas.
“A ideia que está mesmo causando a queda é a venda por medo”, afirma. Apesar disso, ele ressalta que o movimento não deve ser interpretado como um colapso estrutural, lembrando que episódios semelhantes já ocorreram em outros ciclos do Bitcoin.
Na avaliação do analista, ainda não há sinais claros de que o fundo tenha sido alcançado. “Pode cair mais”, ele alerta. Por isso, o especialista recomenda cautela no curto prazo e afirma que, apesar de os preços já parecerem atrativos, “pegar a faca caindo é sempre perigoso”.
Gatilho é macro, mas intensidade vem do setor
Uma visão mais ampla sugere que os fatores macroeconômicos funcionam como gatilho inicial, enquanto a própria dinâmica do mercado cripto amplifica a intensidade da correção.
Para Carlos Peralta, gerente sênior de Políticas Públicas da Bitso, o ambiente de juros elevados, crescimento econômico mais incerto e tensões geopolíticas tem levado investidores institucionais a reduzir exposição a ativos de risco. “O gatilho é macroeconômico, mas a intensidade do movimento é potencializada pela dinâmica interna do próprio mercado de criptomoedas”, explica.
Segundo Peralta, a queda do Bitcoin se intensifica por meio de liquidações automáticas de posições alavancadas e vendas motivadas por medo no curto prazo, características de um mercado altamente líquido e sensível a mudanças rápidas de sentimento. Ainda assim, ele ressalta que tentar identificar um fundo no curto prazo é um exercício arriscado, especialmente enquanto o cenário macro permanecer pressionado.
A analista técnica Ana de Mattos também concorda que a queda desta quinta-feira reflete um processo acelerado de desalavancagem.
Com a quebra de níveis técnicos relevantes, stops e liquidações automáticas foram acionados no mercado de derivativos, principalmente em posições compradas (que apostam na valorização do ativo) com alta alavancagem.
“Cada liquidação gera novas ordens de venda, pressiona os preços e ativa outras liquidações”, afirma Mattos. De acordo com ela, o fato de o volume no mercado à vista não ter acompanhado a queda sugere que o movimento foi impulsionado sobretudo por uma desalavancagem forçada, e não por uma saída expressiva de investidores de longo prazo.
Cashback de até 5% em bitcoin é só na Super Quarta! De 4 a 6 de fevereiro, invista em ativos selecionados e receba parte do valor direto na sua conta MB. Saiba mais!