O investigador on-chain ZachXBT alega que o hacker responsável por um desvio de mais de US$ 40 milhões (cerca de R$ 211 milhões) em criptomoedas de carteiras do governo dos Estados Unidos teria ligação direta com uma empresa contratada pelo próprio governo norte-americano.
Segundo a apuração do ZachXBT, o indivíduo conhecido online como “Lick”, teria como nome real John Daghita e estaria por trás do esvaziamento de dezenas de milhões de dólares em criptomoedas provenientes de carteiras controladas pelos EUA.
O ponto mais sensível da denúncia é o fato de que John seria filho de Dean Daghita, CEO da Command Services & Support (CMDSS), empresa que mantém contrato com o U.S. Marshals Service para custodiar e administrar criptoativos apreendidos.
Registros corporativos indicam que Dean Daghita ocupa o cargo de presidente da CMDSS, companhia sediada na Virgínia que, em outubro de 2024, venceu uma licitação para auxiliar o governo na gestão e eventual liquidação de criptomoedas classificadas como “Classe 2 a 4” — ativos menos líquidos ou não suportados por grandes corretoras centralizadas. Até o momento, a CMDSS e o governo americano não se pronunciaram.
Na semana passada, ZachXBT associou “Lick” a mais de US$ 90 milhões em criptomoedas de origem suspeita. Parte desses fundos teria saído de uma carteira do governo dos EUA ligada a ativos apreendidos no famoso hack da Bitfinex de 2016. Em março de 2024, cerca de US$ 24,9 milhões teriam sido transferidos dessa carteira governamental para um endereço posteriormente vinculado ao suposto hacker.
A notícia ganhou visibilidade após uma discussão no Telegram em um grupo conhecido no submundo digital como “band-for-band”, na qual participantes tentam provar quem controla mais criptomoedas, “Lick” teria compartilhado a tela de uma carteira Exodus exibindo milhões de dólares em ativos.
Durante a conversa, o hacker transferiu mais US$ 6,7 milhões para um endereço Ethereum, culminando na consolidação de aproximadamente US$ 23 milhões em uma única carteira, o que permitiu o rastreamento posterior das transações.
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Contrato polêmico
O contrato da CMDSS com o U.S. Marshals Service já havia sido alvo de questionamentos anteriormente. Empresas concorrentes, como a Wave Digital Assets, chegaram a contestar a licitação junto ao Government Accountability Office (GAO), alegando falhas regulatórias e possíveis conflitos de interesse. O GAO, no entanto, rejeitou o recurso, considerando o processo de avaliação do governo adequado.
O caso também reforça críticas sobre a capacidade do governo americano de gerir criptomoedas apreendidas e conflitos de interesse na gestão de Donald Trump. Uma antiga reportagem do CoinDesk apontou falhas nos controles internos do U.S. Marshals Service, incluindo dificuldades para estimar o volume total de bitcoins sob sua custódia e o uso de sistemas pouco robustos de inventário.
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