Entre as ficções, os vencedores foram, portanto, “Nosso Segredo”, que, além de melhor filme, ficou com os troféus de fotografia e direção de arte. Já “Feito Pipa” venceu vários prêmios — direção, atriz, menção honrosa, ator coadjuvante, além de ter conseguido o prêmio do público.
O outro filme de risco em concurso, “Leite em Pó”, de Carlos Segundo, ganhou os troféus de roteiro, desenho de som e o prêmio da crítica. A decepção da equipe era visível, mas, quando a poeira baixar, vão constatar que não foram ignorados. E nem poderiam ser, pois é um filme de valor.
Aliás, nenhum dos seis concorrentes em longas de ficção saiu de mãos abanando. Todos levaram sua lembrancinha de Gramado. Mais que distributivismo, vi essa decisão do júri como forma de afirmar que qualquer desses seis concorrentes tinha, pelo menos, uma característica, que merecia ser destacada. Caso de “Justino – nos Bastidores do Reino”, vencedor dos troféus de montagem e ator (Christian Malheiros), além de uma menção honrosa.
“Chorão”, acertadamente, ficou com o kikito de ator (José Loreto), trilha sonora, além de uma menção honrosa. Mesmo o mais fraco do conjunto, “Pele de Rinoceronte”, beliscou um kikito de coadjuvante para Naruna Costa.
Já na competição gaúcha aconteceu algo estranho. A imaginativa “História Mais Triste do Mundo”, de Hique Montanari, foi acumulando prêmio em cima de prêmio, criando a expectativa de que seria o grande vencedor. Mas não, quem arrebatou o prêmio principal foi o (bom) documentário “Filhas da Lua” sobre presidiárias travestis e suas tentativas de refazer suas vidas após o cumprimento de penas.
Levo comigo um momento de emoção quando, uma delas, mostra às câmeras sua casinha, mais do que humilde, mas o lar no qual esperava pela chegada do marido, ele também cumprindo pena. Todos e todas têm o direito à felicidade.