Home CriptomoedasGoverno vai propor cobrar IOF de 3,5% sobre criptomoedas

Governo vai propor cobrar IOF de 3,5% sobre criptomoedas

por edineymartinstorres

A Receita Federal pretende cobrar 3,5% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre a compra de criptomoedas no Brasil. Hoje, essas operações não sofrem incidência do imposto, sendo que, pela nova proposta, haverá isenção para compras de até R$ 10 mil feitas por pessoas físicas, enquanto valores acima desse limite passariam a ser tributados.

As informações são de uma reportagem do Valor Econômico baseada em uma minuta do decreto obtida pelo jornal. De acordo com o texto, a medida será submetida a consulta pública, o que significa que os termos ainda podem ser ajustados antes de virar decreto.

A equipe econômica trabalha com a expectativa de que a regra entre em vigor ainda em 2026, embora não haja uma data definida. A proposta parte da Receita Federal, que defende a alíquota de 3,5% como forma de garantir “neutralidade fiscal” no sistema financeiro.

“Atualmente, a disparidade de alíquotas entre remessas convencionais e operações via ativos virtuais cria espaço para arbitragem tributária. Assim, a concorrência no sistema financeiro resta prejudicada”, afirma a Receita na exposição de motivos do decreto.

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Na avaliação do Fisco, a tributação buscaria equiparar as operações com criptoativos às compras de moedas estrangeiras e remessas ao exterior, que já pagam 3,5% de IOF. A Receita também sustenta que a proposta está alinhada à decisão do Banco Central, que em novembro do ano passado passou a classificar determinadas transações com ativos virtuais como operações de câmbio.

Como justificativa adicional, o órgão cita a forte expansão do mercado cripto no país. Segundo dados oficiais, o total declarado de criptoativos no Brasil saltou de R$ 94,9 bilhões em 2020 para R$ 415,8 bilhões em 2024, uma alta de 438%. Para o Fisco, manter tratamento tributário distinto em relação a outros ativos financeiros amplia o risco de arbitragem.

Contexto regulatório

A proposta da Receita surge poucos dias depois da notícia de que o governo iria colocar em consulta pública a cobrança de IOF sobre operações com criptomoedas, tema que ganhou força após as novas regras do Banco Central para o setor. Na ocasião, o enquadramento de certas transações cripto como câmbio abriu caminho para a discussão sobre a incidência do imposto.

Desde o ano passado, a tributação de criptomoedas vem sendo debatida dentro do governo. Em 2025, o Ministério da Fazenda chegou a tentar avançar com uma proposta mais ampla de tributação dos criptoativos, que enfrentou resistência no Congresso. Agora, a estratégia parece ser fatiar o debate, começando pelo IOF, com foco em operações que, na visão do governo, funcionam de forma semelhante às remessas internacionais tradicionais.

A consulta pública deve reacender o debate no setor, com associações já tendo questionado a equiparação automática de criptoativos a operações de câmbio e defendem que qualquer ampliação do IOF seja discutida em lei, com maior debate no Legislativo.

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