Israel encontra corpos de reféns em Gaza
Gaza não está “à venda”, afirmou um dirigente do grupo armado palestino Hamas nesta segunda-feira (1º), após informações da imprensa sobre uma proposta do governo dos Estados Unidos para deslocar a população do território.
O suposto plano, ao qual o jornal americano “The Washington Post” teve acesso, contemplaria a realocação voluntária dos quase 2 milhões de moradores em outros países ou em áreas seguras dentro da Faixa de Gaza enquanto durar o processo de reconstrução do território, devastado após dois anos de guerra.
Aqueles que aceitassem deixar o território, segundo essa proposta, receberiam US$ 5 mil em dinheiro – o equivalente a R$ 27 mil -, além de assistência para quatro anos de aluguel e um ano de alimentos.
Procurado pela AFP, o Departamento de Estado americano não respondeu ao pedido de comentários sobre o suposto plano, publicado poucos dias após uma reunião em Washington que, segundo o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, pretendia examinar um “plano muito completo” para o pós-guerra na Faixa de Gaza.
Segundo o Post, o território palestino seria administrado por 10 anos pelo chamado Fundo para a Reconstituição, Aceleração e Transformação Econômica de Gaza (GREAT Trust), para em seguida abrir espaço para uma “entidade palestina reformada e ‘desradicalizada'”.
Os proprietários de terras receberão ofertas de ‘tokens digitais’ para financiar uma nova vida em outro lugar ou de trocas por um apartamento em uma das seis ou oito novas “cidades inteligentes impulsionadas por Inteligência Artificial (IA)” que seriam construídas na Faixa.
Mas o Hamas descartou qualquer plano neste sentido e um integrante de seu gabinete político, Bassem Naim, afirmou nas redes sociais que “Gaza não está à venda” e que o território é “uma parte integral da grande pátria palestina”.
Outro dirigente do Hamas disse, sob a condição de anonimato, que o grupo rejeita “todos os planos que deslocam nosso povo e mantêm o ocupante em nossas terras”. Ele acrescentou que tais propostas são “inúteis e injustas”.
Fumaça de explosão de bombas sobe no céu de Gaza.
REUTERS/Amir Cohen
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, expressou apoio a um projeto similar anunciado em fevereiro pelo presidente Trump, que disse que queria assumir “o controle” de Gaza e transformá-la na Riviera do Oriente Médio.
Sobre a população, ele afirmou que as pessoas poderiam viver em outro lugar. O projeto foi rejeitado na ocasião pelos países árabes, ocidentais e pela ONU.
Qasem Habib, um palestino de 37 anos que vive em uma barraca no bairro Al Rimal, na Cidade de Gaza, disse à AFP que a proposta relatada era “um disparate”.
“Se querem ajudar Gaza, já sabem como: pressionando Netanyahu a interromper a guerra e os assassinatos”, disse Habib.
Wael Azzam, 60 anos, que vive em Khan Yunis, no sul da Faixa, disse que não sabia do novo plano americano, mas “mesmo sem conhecê-lo, é um plano fracassado”.
“Nascemos e crescemos aqui”, acrescentou, questionando se o presidente dos Estados Unidos aceitaria ser deslocado de sua própria casa.
Ahmed al Akkawi, 30 anos, disse que apoiaria a proposta se representasse o fim dos combates.
“O plano é excelente se a guerra parar e nos transferirem para países europeus para vivermos uma vida normal, e caso apresentem garantias para reconstruir Gaza”, declarou Akkawi.
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