Ficou célebre uma declaração de Meryl Streep dizendo que, ao completar 40 anos, recebeu três convites para interpretar bruxas no cinema, o que ela interpretou como um sinal de que Hollywood passava a enxergá-la como uma velha. No audiovisual do Brasil, não temos um sinal tão evidente que simbolize que uma atriz envelheceu aos olhos do mercado. Mas, assim como acontece lá fora, por aqui, profissionais veteranas veem o espaço diminuir e os bons papeis rarearem. Foi o que aconteceu com Isabela Garcia.
Assim como Glória Pires, Isabela Garcia começou na TV criança e faz parte da história das novelas. Ainda garota, ela se destacou como a órfã Maria Helena em “Água Viva” (1980). A partir daí, acumulou papeis de destaques em produções de sucesso, como “Anos Dourados” (1986) e “Roda de Fogo” (1986) e “Sonho Meu” (1993), além de protagonizar a disruptiva “Bebê a Bordo” (1989), que ganhou o status de cult. Tudo parecia conspirar para que Isabella se mantivesse nos holofotes e trilhasse uma carreira cada vez mais ascendente.
A partir de meados dos anos 2000, após interpretar Eliete em Celebridade (2003), Isabela passou a ser escalada com uma frequência cada vez menor e em personagens que não davam a oportunidade da atriz mostrar todo seu talento. Isabela se tornou vítima de um mal que tomou conta das novelas nas últimas décadas: a falta de representatividade etária.