Home CriptomoedasMB registra 5,6x mais compras do que vendas de Bitcoin durante forte queda

MB registra 5,6x mais compras do que vendas de Bitcoin durante forte queda

por edineymartinstorres

Os brasileiros estão se revelando maximalistas do Bitcoin e aproveitando o momento de queda do ativo para aumentar suas reservas. Na quinta-feira (2), o BTC registrou a sua maior desvalorização diária desde 2022, indo de US$ 71 mil para US$ 62,8 mil. Pois nesse mesmo dia, o MB | Mercado Bitcoin registrou 5,6 vezes mais investidores comprando do que vendendo Bitcoin, justamente no auge do movimento de baixa.

Outro dado que reforça a tese dos brasileiros maximalistas é que os fundos de investimento em criptomoedas no Brasil tiveram entradas de R$ 87 milhões na semana passada. Já no resultado global, os produtos tiveram desempenho negativo com saídas de US$ 187 milhões (R$ 973 milhões), conforme dados do CoinShares. 

Essa característica do brasileiro de aproveitar a queda tem se mostrado lucrativa ao longo dos anos: se um investidor aplicasse US$ 100 para cada vez que o Bitcoin foi declarado como morto, seriam 461 aportes e ele teria hoje US$ 72,5 milhões. Os dados são do site Bitcoin Deaths, que desde 2010 cataloga cada declaração pública anunciando o suposto fim da maior criptomoeda do mundo. 

Leia também: Bitcoin já atingiu o fundo e é hora de comprar? Analistas respondem

Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin (MB), confirma que a visão de longo prazo historicamente produz bons resultados para os investidores de Bitcoin. “Ao longo de 2021, o Bitcoin chegou a despencar quase 60%. Pouco tempo depois, o ativo mais que dobrou seu valor em menos de 6 meses”, disse. 

O especialista lembra que “é justamente nas fases de maior turbulência que se constroem os ganhos de longo prazo, desde que o investidor mantenha sua estratégia e não se deixe levar pelas emoções”. 

Rony destaca que a recente volatilidade do Bitcoin não é aleatória, apontando alguns fatores que ajudaram a explicar o cenário.

ETFs aceleram a queda

Os ETFs de Bitcoin, fundos negociados em bolsa que permitem investir no ativo sem comprá-lo diretamente, tiveram grande impacto na recente queda. Quando há grandes resgates, os efeitos são rápidos e significativos. 

O mercado interpretou o movimento como um sinal de que investidores institucionais estão reduzindo o risco, impactando o curto prazo de duas formas. A primeira é a pressão direta sobre os preços, causada pela relação entre oferta e demanda. A segunda é o efeito sobre o comportamento de outros investidores, já que muitos tendem a seguir o mesmo caminho quando grandes players começam a vender.

Incertezas globais pressionam os mercados

A combinação de fatores macroeconômicos e geopolíticos aumenta os riscos imediatos. A tensão crescente entre Estados Unidos e Irã, somada a indicadores de crescimento econômico mais fraco em algumas regiões, volatilidade cambial e instabilidade política, reforça a cautela entre investidores institucionais e de varejo.

Nessas condições, o mercado tende a se mover com mais intensidade, e ativos alternativos, como criptomoedas, podem apresentar oscilações mais acentuadas.

Medo extremo, oportunidade real

O índice Fear & Greed, que mede o sentimento do mercado cripto de 0 a 100, indica se os investidores estão dominados pelo medo ou pela ganância. Quanto mais próximo de 0, maior o receio. Atualmente, o índice marcou 5 de 100, mostrando que muitas vendas são motivadas pela emoção, não pelos fundamentos.

Um exemplo histórico ocorreu durante a crise da COVID-19: o índice caiu para 8 de 100, o Bitcoin estava em US$ 6.242 e, apenas 31 dias depois, subiu para US$ 7.807, um aumento de 25%. Ao longo de 2021, chegou a superar US$ 63 mil, multiplicando seu valor por cerca de 10 vezes desde o início da crise.

A lição é clara: índices extremamente baixos não indicam exatamente quando o fundo será atingido, mas sinalizam que o mercado pode estar barato por pânico, criando oportunidades para investidores com visão de longo prazo.

Impacto da política monetária americana

A expectativa de juros altos por mais tempo nos EUA fortalece o dólar e limita a liquidez para investimentos mais voláteis, como Bitcoin. Enquanto não surgirem sinais claros de alívio, o cenário deve manter os mercados sob pressão, reduzir a entrada de capital em ativos de maior risco e aumentar a atratividade de aplicações consideradas mais seguras, como títulos atrelados à taxa de juros.

O analista Rony Szuster reforça que começar a investir no ativo agora é uma oportunidade de aproveitar a baixa. Para isso, uma das estratégias mais eficientes continua sendo realizar pequenos aportes de forma constante.

“Essa abordagem dilui o preço médio ao longo do tempo e reduz a necessidade de análises gráficas complexas, permitindo capturar bons pontos de entrada mesmo em cenários voláteis”, afirma o head de research do Mercado Bitcoin.

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