Home Criptomoedas“Não existe preço do Bitcoin que nos dê dor de cabeça”, diz CEO da OranjeBTC

“Não existe preço do Bitcoin que nos dê dor de cabeça”, diz CEO da OranjeBTC

por edineymartinstorres

O CEO da OranjeBTC, Guilherme Gomes, afirmou que não existe hoje nenhum nível de preço do Bitcoin capaz de gerar dor de cabeça para a empresa, mesmo em um cenário de queda acentuada da criptomoeda.

A declaração foi feita durante um encontro com jornalistas, em um momento em que o Bitcoin passa por forte correção, chegando a US$ 73 mil, menor preço em quase dois anos, e as ações da companhia, negociadas sob o ticker OBTC3, acumulam perdas expressivas desde a estreia na B3, em outubro de 2025.

“Não tem nenhum preço de Bitcoin que poderia cair que daria dor de cabeça para a empresa”, disse Gomes, ao explicar que a estrutura financeira da Oranje foi desenhada para operar com volatilidade e atravessar ciclos longos do mercado. Segundo ele, a empresa possui apenas uma dívida, com vencimento em cinco anos, sem cláusulas de chamada de margem ou gatilhos que forcem a venda de ativos em caso de queda do preço do Bitcoin.

O executivo também reforçou que a tese central segue sendo acumular e manter Bitcoin como ativo estratégico, ainda que isso não signifique uma postura “dogmática” em qualquer cenário.

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Ao ser questionado sobre a possibilidade de a Oranje vender parte de suas reservas, Gomes respondeu que não pretende fazer isso, mas evitou prometer algo definitivo. “Eu não venderia Bitcoin, mas nunca diga nunca”, disse, deixando em aberto a possibilidade de mudanças de estratégia em um contexto diferente.

A discussão ocorre num período em que o Bitcoin já caiu cerca de 40% abaixo das máximas de outubro de 2025, quando chegou à faixa de US$ 126 mil.

Queda das ações e recompras

Se o Bitcoin impõe volatilidade, as ações da companhia têm sentido o impacto ainda mais forte. A OBTC3, que chegou ao mercado via IPO reverso (quando uma empresa assume o controle de uma companhia já listada), acumula queda expressiva desde o início das negociações na B3, em 7 de outubro de 2025, após a OranjeBTC adquirir a Intergraus, dona de um cursinho preparatório para vestibular.

Nesta quarta-feira (4), as ações da OranjeBTC fecharam cotadas a R$ 6,90, depois de estrearem em R$ 24 em outubro do ano passado. Ou seja, uma queda de 71% dos papéis desde que passaram a ser negociados na B3.

Gomes afirmou que a empresa acompanha esse movimento e, justamente por isso, tomou uma decisão que chama atenção do mercado desde o início de 2026: priorizar recompra de ações em vez de comprar mais Bitcoin.

Segundo o CEO, a escolha por recompras tem relação direta com a leitura de que o papel passou a embutir um desconto grande em relação ao que a companhia tem, especialmente considerando o Bitcoin em caixa e os planos operacionais. Na prática, a mensagem é que, para a empresa, recomprar OBTC3 em determinados níveis pode ser mais eficiente do que comprar BTC adicional naquele momento.

Gomes diz que o desconto atual das ações em relação ao valor do Bitcoin em tesouraria abriu uma oportunidade estratégica. A companhia hoje é negociada abaixo do chamado MNAV (valor de mercado em relação ao valor líquido dos bitcoins em balanço), o que levou a OranjeBTC a priorizar a recompra de ações nos últimos meses.

Atualmente, o MNAV da empresa está em 0,83, ou seja, em teoria, comprar ações da Oranje significa comprar Bitcoin com desconto. “Quando a empresa vale menos do que os bitcoins que ela tem em caixa, recomprar ações é, na prática, uma forma de aumentar a quantidade de Bitcoin por ação para o investidor”, explica.

Os dois pilares do negócio: “treasury” e educação

Gomes aproveitou o evento para reforçar que a estrutura da Oranje tem dois pilares de negócio. O primeiro é o pilar financeiro, de gestão de tesouraria em Bitcoin, com uma política de caixa desenhada para sobreviver a cenários de estresse e capturar o potencial de longo prazo do BTC, sempre adquirindo mais da criptomoeda ou recomprando ações.

O segundo pilar é educação, que ganhou relevância após o IPO reverso com a Intergraus. A aquisição colocou dentro do grupo uma operação educacional já existente e, recentemente, a empresa passou a usar essa estrutura para lançar e ampliar iniciativas voltadas a Bitcoin, com o lançamento de um curso voltado ao BTC, reforçando a tese de que o braço de educação serve não só como receita recorrente, mas também como um canal de construção de novos invetisdores.

Na visão do CEO, a combinação não é casual: a companhia tenta equilibrar um ativo altamente volátil (Bitcoin) com um negócio operacional mais previsível (educação), criando uma estrutura que “aguenta o tranco” do ciclo cripto sem depender exclusivamente de valorização do BTC.

Além disso, o executivo também reforçou que não é política da empresa pagar dividendos. Gomes explicou que a empresa não paga proventos porque a prioridade, hoje, é reinvestir, seja via recompras, seja via expansão dos projetos e fortalecimento da estrutura de capital, mantendo a lógica de longo prazo da tese.

O argumento central é que, numa companhia cuja proposta envolve alocação estratégica em Bitcoin e construção de um ecossistema ao redor disso, distribuir caixa no curto prazo pode conflitar com o objetivo de capturar valor ao longo do tempo e atravessar períodos ruins sem precisar “forçar a mão” na tesouraria. Para ele, o retorno ao investidor é exatamente reinvestir no BTC.

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