A responsabilidade sobre “O Mandaloriano e Grogu” é, portanto, imensa. Existe, claro, uma certa segurança em trabalhar com personagens que já foram apresentados ao público com imenso sucesso. O filme, dirigido por Jon Favreau, expande o série que ele mesmo criou para o streaming. Lançado na Disney+ em 2019, “The Mandalorian” acompanhou em três temporadas o mercenário interpretado por Pedro Pascal, guerreiro com código de honra inabalável, reavaliando seus valores ao se tornar guardião de uma criança misteriosa, um bebê alienígena com poderes Jedi latentes.
O fime, agendado para estrear em 21 de maio, chega aos cinemas enfrentando concorrência feroz não só de outras marcas poderosas da cultura pop – este anos temos novos exemplares de “Toy Story” e “Homem-Aranha”, além de “Supergirl” e “A Odisséia” -, como precisa bater as expectativas pesadas atreladas ao universo “Star Wars”. Em seu último “retorno” aos cinemas, com “O Despertar da Força” em 2015, a série navegou na curiosidade em ver o legado da família Skywalker e do reencontro com personagens emblemáticos como Han Solo, a princesa Leia e Luke Skywalker. Agora precisa de outro Norte.
“O Mandaloriano e Grogu” tem a seu favor, além de um ator no auge de sua popularidade, a aprovação de sua iconografia pela Geração Z, que abraçou o “Baby Yoda” com fúria. Mesmo disperso em um oceano de possibilidades midiáticas tão sedutoras quanto efêmera., é um público fiel, apaixonado e – o principal – engajado. Equilibrar essa fatia da audiência com a de fãs de meia idade em busca de um naco de sua própria inocência talvez seja o maior desafio do novo filme. Não será, como já percebemos, a primeira vez que “Star Wars” busca sair da hibernação.
Nos bastidores, este novo “Star Wars” marca a passagem do bastão, com Kathleen Kennedy estregando a liderança da Lucasfilm para a executiva Lynwen Brennan, que divide a responsabilidade com Dave Filoni. Catedrático em “Star Wars” e protegido de George Lucas, Filoni foi iniciado na série com a animação “Clone Wars” e aos poucos se familiarizou com o quinhão criativo de séries live action. O futuro criativo da saga repousa, hoje, em suas mãos.
O momento não poderia ser mais providencial. Ano que vem “Star Wars” completa 50 anos. O “Guerra nas Estrelas” original será relançado nos cinemas – embora não esteja claro qual versão, se a original ou a edição retocada digitalmente pós-1997. “Star Wars: Starfighter”, também agendado para 2027, expande o jogo mais uma vez com Ryan Gosling à frente de uma aventura descolada de qualquer trama pregressa da saga, dirigida por Shawn Levy. Será um ano de celebração disparado antecipadamente por “O Mandaloriano e Grogu”, culminando em uma volta ao passado e um olhar para o futuro.