Home EntretenimentoÓbvio e tedioso, Oscar erra ao tentar fazer rir da própria desgraça

Óbvio e tedioso, Oscar erra ao tentar fazer rir da própria desgraça

por edineymartinstorres

O Oscar 2026 tentou se conectar com a geração mais nova ao investir no k-pop de “Golden”, hit do fenômeno da Netflix “Guerreiras do K-Pop”, vencedor de Melhor Animação e Canção Original, mas também quis manter o interesse do público mais velho ao trazer Billy Crystal e Barbra Streisand para participações comoventes no “in memoriam”. No fim, virou um imenso Frankenstein.

E foi “Frankenstein”, de Guillermo del Toro, que começou se destacando ao acumular três Oscars na primeira metade da noite: Maquiagem e Penteado, Figurino e Direção de Arte, todos previsíveis. Foi o indício de que a noite parecia destinada a cumprir o regulamento e espelhar as dezenas (e cansativas) premiações que antecedem uma temporada extremamente repetitiva para todos os envolvidos, inclusive os espectadores, que precisam acompanhar BAFTA, Critics Choice, Globo de Ouro, SAG, PGA, DGA e tudo que move uma indústria milionária de premiações cada vez mais povoada.

A cerimônia adiantou o reinado de “Uma Batalha Após a Outra” ao anunciar a vitória do filme em Melhor Seleção de Elenco, batendo o favorito “Pecadores”. Uma surpresa minúscula em uma categoria em que o brasileiro “O Agente Secreto” estava longe de ser favorito, mas era disparado o mais merecedor entre os concorrentes.

Wagner Moura apresenta candidatos ao prêmio de melhor direção de elenco no Oscar 2026 Imagem: PATRICK T. FALLON / AFP

Ficou claro rapidamente que a disputa estaria entre o longa de Paul Thomas Anderson e “Pecadores”, mesmo com Amy Madigan (“A Hora do Mal”) confirmando as previsões em Melhor Atriz Coadjuvante. O primeiro levou Melhor Ator Coadjuvante para Sean Penn, mas o politizado astro nem foi ao Dolby Theatre, preferindo viajar para a Ucrânia, segundo o “The New York Times”. Sábia decisão.

O jogo continuou empatado quando os roteiros se dividiram entre “Uma Batalha Após a Outra” (adaptado) e “Pecadores” (original). Mas era uma briga de mentirinha. Estava na cara que o favoritismo claro de “Uma Batalha Após a Outra” se confirmaria. Quando Paul Thomas Anderson levou como Melhor Diretor e Melhor Filme, completando seis Oscar na noite, pareceu apenas uma mera formalidade. Não que a produção não mereça, mas era um jogo com um vencedor explícito desde o início – a gente só fingia que não sabia disso para tentar não dormir.

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