A lista de indicados ao Oscar 2026 reacendeu uma discussão antiga em Hollywood ao colocar F1, de Joseph Kosinski, entre os concorrentes a Melhor Filme. A presença do longa, estrelado por Brad Pitt, provocou reações negativas imediatas e transformou a categoria principal em um novo campo de batalha entre cinema de prestígio e grandes produções voltadas ao público amplo.
A rejeição lembra o que aconteceu alguns anos atrás com Top Gun: Maverick (2022). Assim como o filme protagonizado por Tom Cruise, F1 foi rapidamente rotulado como um blockbuster feito para as massas, como se isso, por si só, diminuísse seu valor artístico. A diferença é que, desta vez, a resistência parece ainda mais intensa, mesmo com o histórico recente da própria Academia.
Parte do incômodo vem do fato de F1 ser um sucesso comercial assumido. O longa se tornou o filme mais popular já lançado pela Apple TV+ e atraiu um público que, em muitos casos, nunca havia acompanhado uma corrida de Fórmula 1. Para alguns setores da crítica, esse alcance amplo continua sendo visto como um problema, não como um mérito.
O argumento, no entanto, ignora o caráter original do projeto. Diferente da maioria dos blockbusters recentes, F1 não faz parte de uma franquia consolidada nem adapta uma propriedade conhecida do cinema. A história aposta em um esporte específico, pouco explorado nas telas, e constrói sua força a partir da experiência sensorial e do impacto imediato sobre o espectador.
Brad Pitt em cena de F1: O Filme
(Foto: Divulgação/Apple TV+)
Oscar 2026 repetiu padrão de anos atrás
Do ponto de vista técnico, o filme também dialoga diretamente com o caminho que levou Top Gun: Maverick ao Oscar. A produção utilizou carros reais, pistas oficiais e um sistema de câmeras desenvolvido especialmente para capturar a velocidade e a imersão das corridas. Trata-se de uma abordagem que busca colocar o público dentro da ação, algo que a Academia já valorizou recentemente.
A comparação com Avatar: O Caminho da Água (2022) também surge de forma inevitável. O épico de James Cameron foi indicado em 2023 sem gerar o mesmo nível de rejeição, mesmo sendo um espetáculo técnico de grande orçamento. A reação a F1 expõe um desconforto seletivo que parece menos ligado ao cinema em si e mais à imagem que se cria em torno de certos tipos de filme.
Ao repetir o debate iniciado com Top Gun, o Oscar 2026 deixa claro que a Academia ainda busca equilibrar prestígio crítico e relevância cultural. A indicação de F1 não encerra essa disputa, mas reforça uma pergunta que volta todos os anos: até que ponto um filme precisa parecer “importante” para ser tratado como tal.
Com a cerimônia marcada para 15 de março, o público pode assistir ou rever F1 na Apple TV+ antes do Oscar 2026. Assista abaixo ao trailer do filme: