Com quase três meses de exibição, “Quem Ama Cuida” já elevou a audiência da faixa das nove da noite da Globo e os índices vêm apresentando uma curva crescente. Na imprensa e nas redes sociais, todos apontam essa ótima aceitação da novela como o que ficou conhecido como “efeito Walcyr Carrasco”, já que o autor se tornou célebre por turbinar o ibope dos horários em que escreve.
Tão forte quanto a reputação por atrair o público para frente da TV é a fama de Walcyr Carrasco de ser didático nos diálogos e exagerado nos conflitos de suas tramas. O autor não tem pudor de “carregar nas tintas” para, praticamente, pegar o público pela mão para que ele entenda a novela. Os excessos de Walcyr, porém, não são vistos com tanta frequência em “Quem Ama Cuida”. O mérito dessa suavização, certamente, é de Claudia Souto, coautora do folhetim.
Claudia Souto iniciou sua carreira na teledramaturgia diária pelas mãos de Walcyr Carrasco na novela “Sete Pecados” (2007). Mas, quando teve a chance de alçar voos solos, distanciou-se do estilo do veterano e imprimiu uma identidade própria nas bem-sucedidas “Pega Pega” (2017) e “Volta Por Cima” (2024). Claudia tem um texto mais sutil e sensível, e tem a habilidade de trabalhar bem o melodrama sem cair na caricatura ou na afetação. Essa característica tem sido muito positiva para “Quem Ama Cuida”, que tem conseguido emocionar sem ser piegas e ser interessante sem depender de artifícios vazios que prendem a atenção do público, mas que não acrescentam nada à história.