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SpaceX já gastou US$ 15 bilhões para viabilizar foguete reutilizável

por edineymartinstorres


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A SpaceX já gastou mais de US$ 15 bilhões no desenvolvimento do foguete Starship, segundo documento da empresa analisado pela Reuters. O valor é superior ao investimento feito no Falcon 9, hoje o principal veículo da companhia, e reflete quase uma década de esforços para criar um sistema de lançamento que possa ser reutilizado diversas vezes.
O projeto é central para o futuro dos negócios mais rentáveis da empresa de Elon Musk, que se prepara para chegar ao mercado com uma avaliação estimada em US$ 1,75 trilhão.
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A Starship foi projetada para lançar maiores volumes de satélites da rede Starlink, transportar humanos à Lua e a Marte e, no longo prazo, colocar em órbita estruturas voltadas à computação para inteligência artificial, como alternativa a centros de dados na Terra.
O investimento de US$ 15 bilhões, ainda não divulgado anteriormente, supera com ampla margem os cerca de US$ 400 milhões gastos no desenvolvimento do Falcon 9, considerado hoje o foguete mais utilizado no mundo.
Esse modelo foi fundamental para a liderança comercial da SpaceX, ao permitir lançamentos frequentes da Starlink e consolidar vantagem sobre concorrentes.
“Continuamos investindo de forma significativa para ampliar nossa liderança, buscando reutilização total e rápida em larga escala, incluindo mais de US$ 15 bilhões em nosso foguete de nova geração, Starship”, afirmou a empresa em seu registro confidencial.
A SpaceX pretende iniciar o lançamento da nova geração de satélites Starlink, chamada V3, no segundo semestre de 2026. A expectativa é que isso ocorra com a Starship, que pode transportar até 60 satélites por voo — um número bem superior aos cerca de 24 levados atualmente pelo Falcon 9.
Esse ganho de capacidade ajuda a explicar por que o desempenho da Starship é considerado decisivo para a expansão da Starlink. Quanto mais satélites forem lançados por missão, menor tende a ser o custo por unidade colocada em órbita.
Hoje, o programa concentra a maior parte dos investimentos da empresa. Em 2025, a SpaceX destinou US$ 3 bilhões à pesquisa e desenvolvimento em seu segmento espacial, valor totalmente voltado à Starship — um aumento relevante em relação aos US$ 1,8 bilhão registrados no ano anterior.
Falhas em testes
Desde 2023, a SpaceX realizou 11 voos de teste da Starship. Os resultados incluem avanços importantes, mas também episódios de falha que exigiram ajustes no projeto. Um dos marcos mais relevantes foi a captura do propulsor Super Heavy com braços mecânicos durante o retorno à Terra, um passo importante para tornar o sistema reutilizável.
Mesmo com esse progresso, a empresa reconhece que ainda há desafios antes de atingir a meta de realizar milhares de lançamentos por ano. Esse volume seria necessário para viabilizar planos mais ambiciosos, como a colocação em órbita de grandes estruturas voltadas à inteligência artificial.
“Eles estão muito perto”, disse Chris Quilty, presidente da consultoria Quilty Space. “Mas ainda não sabemos se conseguem fazer isso de forma repetida.”
Entre os principais obstáculos está a infraestrutura necessária em terra, que envolve abastecimento de combustível, sistemas de água e proteção para o retorno do foguete à atmosfera. O consumo de recursos também chama atenção: um único lançamento pode exigir o equivalente a 244 caminhões de gás natural e cerca de 1 milhão de galões de água.
Outro ponto considerado crítico é o reabastecimento em órbita, etapa ainda não testada que envolve transferir combustível entre veículos no espaço. Essa operação é vista como essencial para missões mais longas, como viagens à Lua ou a Marte.
“Esse provavelmente é o último grande desafio”, disse Hans Koenigsmann, ex-vice-presidente da SpaceX.
A complexidade aumenta porque o combustível precisa ser mantido em temperaturas extremamente baixas, o que dificulta o armazenamento e a transferência.
“Não demonstramos nem testamos o reabastecimento em órbita até agora”, afirmou a empresa.
Cidade das estrelas
Ao longo da última década, a SpaceX construiu no Texas uma base dedicada ao desenvolvimento da Starship, chamada Starbase. O local foi estruturado para permitir produção em maior escala, com um ritmo mais próximo ao da indústria aeronáutica do que ao padrão tradicional do setor espacial.
As falhas registradas durante os testes levaram a centenas de mudanças no projeto do foguete. Segundo especialistas, a Starship representa uma mudança significativa em relação aos modelos anteriores, tanto em tamanho quanto em complexidade.
A empresa se prepara agora para um novo voo de teste — o primeiro desde outubro — que deve marcar a estreia do protótipo Starship V3.
“A versão 3 é basicamente um projeto totalmente novo”, disse Charlie Cox, diretor de engenharia da Starship.
Com diversas melhorias, o modelo foi projetado para voos orbitais, testes mais longos no espaço e missões tripuladas à Lua. Essa etapa é considerada uma das mais desafiadoras do programa Artemis, da NASA, que já destinou ao menos US$ 3 bilhões à SpaceX.
“Muita coisa vai depender desse primeiro voo”, afirmou Kent Chojnacki, da NASA.
Nave Starship em foto divulgada pela SpaceX em 13 de outubro de 2025
Divulgação/SpaceX

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