Borenstein diz que o troféu não apareceu quando o cineasta desembarcou na Alemanha e pediu ajuda da TSA e da companhia aérea para localizar o item. “Procurei e não encontrei um único outro caso de alguém sendo obrigado a despachar um Oscar. Será que Pavel teria sido tratado da mesma forma se fosse um ator famoso? Ou se falasse inglês fluentemente?“, questionou o codiretor, também nas redes sociais.
O filme e o diretor
“Um Zé Ninguém Contra Putin” venceu o Oscar de Melhor Documentário e tem Talankin como protagonista, ao registrar o ambiente em uma escola primária na Rússia durante a guerra na Ucrânia. O filme mostra exigências do governo russo sobre representações patrióticas da invasão iniciada em 2022.
Talankin deixou a Rússia em 2024 após reunir imagens e relatar que a polícia monitorava sua casa. Na cerimônia do Oscar, em 15 de março, ele fez um apelo pelo fim dos conflitos: “Pelo nosso futuro, por todas as nossas crianças, parem todas essas guerras agora”, disse, com tradução no palco.
Em março, o Ministério da Justiça da Rússia incluiu Talankin no registro de “agentes estrangeiros”, rótulo usado pelo Kremlin contra dissidentes. Segundo a AFP, o ministério o acusou de “disseminar informações falsas” sobre decisões e políticas das autoridades do país.