De uns anos para cá, muitas novelas foram tomadas por um grande mal: a necessidade de debater temas de maneira didática. Com a solidificação das redes sociais e a popularização da lacração, os folhetins que antes usavam histórias para discutir assuntos pouco comentados deixaram causas se sobreporem à narrativa e afastaram o espectador ao trocar a emoção por um discurso panfletário.
“Por Você” parece disposta a corrigir essa rota. Nesta semana, a novela de Dino Cantelli e Juliana Peres iniciou o desenvolvimento de uma trama que aborda a violência que professores sofrem na escola pública por meio da personagem Margô (a sempre eficiente Regiane Alves), que é agredida por um de seus alunos. A performance da atriz durante a cena, que entregou uma atuação que mistura vergonha, medo, impotência e indignação, somada à reverberação desse gesto na história, indica que os autores vão fugir do didatismo barato para se aprofundar nessa questão, que recorrentemente aparece nos noticiários.
“Por Você” já tinha mostrado que sabia inserir discussões relevantes sem apelar para a militância. A maior evidência disso é a trama da ala premium baby da maternidade onde se desenrola boa parte da narrativa. De forma bem-humorada, a novela faz uma crítica ao comércio que foi criado em torno da gravidez por meio da obsessão da personagem de Alinne Moraes por oferecer serviços super exclusivos e caríssimos (e muitos deles desnecessários) para arrancar dinheiro das gestantes.