A régua é alta. Em 2019, o cinema faturou um recorde histórico de US$ 42,5 bilhões, com nove filmes, entre eles “Vingadores: Ultimato”, “O Rei Leão” e “Coringa”, cruzando a marca dos dez dígitos. Já em 2025, as bilheterias mundiais somaram estimados US$ 33,5 bilhões, um aumento de quase 12% em relação a 2024. A robustez do resultado do começo deste ano aponta um otimismo cauteloso para 2026 – e os cinemas lotados em diversos filmes-eventos apontam a disposição das plateias em não deixar essa peteca cair.
Essa retomada pode ser creditada a uma coleção de fatores. A maior oferta de salas “premium”, como Imax, traz ingressos mais caros e anabolizam os resultados. Há também a percepção de que a geração Z, que já cresceu na era digital com oferta de audiovisual imediata na ponta dos dedos, tem redescoberto formatos “antigos”, como a mídia física e a experiência coletiva, fazendo do cinema um lazer compartilhado alinhado com a exposição em redes sociais.
Os estúdios perceberam essa guinada em seu público e tem inclinado o marketing de seus filmes para esse novo olhar, rompendo com as ferramentas tradicionais de publicidade e usando a figura de influenciadores digitais e a publicidade em plataformas como Tik Tok para alavancar seus produtos. Na era da hipervelocidade, fazer parte do momento cultural atrelado a filmes-eventos como “Michael” e “O Diabo Veste Prada 2” alimenta a sensação de pertencimento. Não basta ver o filme: compartilhar a reação pós sessão é parte da experiência.
Não atrapalha, também, a seleção do cinemão em 2026 parecer mais diversa e eclética do que a dobradinha blockbuster de ação/filme para a família que parecia dominar a programação nos últimos anos. Claro, resultados positivos para filmes como “Super Mario Galaxy” e “Cara de Um, Focinho do Outro” não são surpresa. Mas este ano, filmes como “O Morro dos Ventos Uivantes” (romance clássico em nova roupagem), “O Drama” (drama independente ancorado pelos astros pop Zendaya e Robert Pattinson), “Devoradores de Estrelas” (ficção científica original) e “Socorro!” (suspense de Sam Raimi, que faturou o dobro de seu orçamento modesto) tiveram resultados generosos.
Os próximos meses verão esta diversidade de títulos continuar. Para cada “Mortal Kombat II”, existe o equilíbrio de um “As Ovelhas Detetives”. O terror segue firme o ano inteiro, de “Obsessão” a “A Morte do Demônio: Em Chamas”, de “Resident Evil” a “Cara de Barro”. Grandes diretores de volta (Almodóvar com “Natal Amargo”, Christopher Nolan com “A Odisseia”, Spielber com “Dia D”), marcas pop na repescagem para uma nova chance (“Mestres do Universo”, “Street Fighter”).
São filmes para ver em família (“Minions & Monstros”, “Moana”, “Toy Story 5”), astros (Tom Cruise em “Digger”), estrelas (Nicole Kidman e Sandra Bullock em “Da Magia à Sedução 2”) sagas espaciais (“O Mandaloriano e Grogu”, “Duna Parte 3”) e, claro, super-heróis (“Supergirl”, “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, “Vingadores: Doutor Destino”). Não duvido que ao menos meia dúzia dentre os títulos acima possam bater em US$ 1 bilhão nas bilheterias, o número doce para quem faz cinema.